A UTILIZAÇÃO DO SEQUESTRO DE CARBONO PELOS SURUÍ EM SEU TERRITÓRIO ANCESTRAL

  • Carlandio Alves da Silva Universidade Federal do Mato Grosso/Pós-Graduação Mestrado em Geografia
  • Onélia Carmem Rossetto Universidade Federal do Mato Grosso/Docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia
Palavras-chave: Territorialidade; Conflito; Preservação

Resumo

A etnia Suruí elaborou Projeto de Carbono Suruí em 2015, como forma de impedir a retirada e propiciar a preservação de seus recursos naturais de dentro da Terra Indígena Sete de Setembro. Sendo a primeira etnia no país a fazer uso dessa captação de fundo internacional para uma tentativa de conter a emissão de gases e o desmatamento dentro de sua Terra. Com essa estratégia, ao incorrer em tal ação a etnia encontrou uma forma de colocar em prática sua territorialidade e manter seu território. Pois, sofrem fortes pressões de proprietários rurais no entorno de sua área, madeireiros dentre outros que invadem os limites de seu território para caçar, pescar ou até mesmo atacá-los. Para este trabalho, foi aplicado como metodologia de pesquisa qualitativa, onde primou-se pelo viés tipológico descritivo e explicativo, com buscas em fontes bibliográficas para evidenciação dos fatos. Nesta perspectiva, fora utilizado como método o materialismo histórico dialético, o qual em conjunto com textos geográficos propiciaram um olhar da realidade vivida por esse povo, onde as questões referentes ao preconceito étnico, a diferenças sociais, aos conflitos resultantes do processo de exclusão propiciados pelo capital no decorrer do tempo foram estudados e evidenciados para compreensão social da etnia.

Referências

BARRETOS, V. L; Andréia C. S. F; Lígia C. P. Sequestro De Carbono. In Centro Cientifico Conhecer, Goiânia, Enciclopédia Biosfera N.07, 2009, p. 1-10. – disponível em: http://www.conhecer.org.br/enciclop/2009/sequestro.pdf – acessado em 05/06/2015.
BECKER, B. K. Revisão das políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários?. In Parcerias estratégicas – n. 12, 2001. p. 135-158.
BONNEMAISON, J. Viagem em Torno do Território. In: ROSENDAHL, Z CORRÊA, R, L (orgs). Geografia Cultural: Um século (3) Rio de Janeiro: EdUERJ, 2002.
CASTRO, Sheila; SILVA, Carlandio Alves da. O agro é pop e não preserva ninguém: os discursos antagônicos de Preservação Ambiental. In: Revista Geographia Opportuno Tempore: v. 6 n. 1, 2020. p. 93-108. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/Geographia/article/view/39658/27239 - Acesso em:23/04/2020.
COY, M. Desenvolvimento regional na periferia amazônica: organização do espaço, conflitos de interesses e programas de planejamento dentro de uma região de fronteira, o caso de Rondônia. In AUBERTIN, Catherine (Org.) Fronteiras. Brasília: UNB, 1988. p. 167-194.
COY, M. Rondônia: Frente Pioneira e Programa Polonoroeste. o Processo de Diferenciação Sócio-Econômica na periferia e os limites do planejamento público. In Tübinger Geographische Studien: Tübingen n. 95, 1987. p. 253-270.
DARTIGUES, A. O que é a fenomenologia? São Paulo. Editora Centauro, 1996.
DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: editora Atlas, 1992.
HAESBAERT, Rogério da Costa. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: edições Loyola, 1992.
HOBSBAWM, Eric, Karl Marx: Formações Econômicas Pré-capitalista. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
KOCHE, José Carlos. Pesquisa científica: critérios epistemológicos. Petrópolis: Editora Vozes, 2005. p. 254.
Lefebvre, Henri. Marxismo: uma breve introdução. Porto Alegre: L&PM, 2017.
MARTINS, M. A. A Amazônia e Nós. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1971.
Martins, José de Souza, A reinvenção da cidade na selva, Tempo Social. In: Revista de sociologia da USP, v.31, n.01, 2019. http://www.scielo.br/pdf/ts/v31n1/1809-4554-ts-31-01-0011.pdf. acessado em 15/04/2020
MINDLIN, B. Nós Paiter: Os Suruí de Rondônia. Petrópolis. Editora Vozes. 1985.
PORTO-GONÇALVES, C. W. A Globalização da Natureza e a Natureza da Globalização. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2011.
POLITZER, G. Princípios Elementares de Filosofia. Editora Sarl. 1975.
SAQUET, M. A. Estudos territoriais: Os conceitos de território e territorialidade como orientações para uma pesquisa cientifica. In FRAGA, N. C. (Org.). Territórios e Fronteiras: (re)arranjos e perspectivas. Florianópolis: Insular, 2011. p. 33-50.
SURUI CARBONO. Disponivel em: http://www.kaninde.org.br/wpcontent/uploads/2015/11/folder_vers_o_final_1334543440.pdf. Acessado em 10/10/2015.
YU, C. M. Sequestro Florestal de Carbono no Brasil: dimensões políticas, socioeconômicas e ecológicas. São Paulo. Ed. Annablume, IEB, 2004.
Publicado
2021-02-17
Como Citar
Silva, C., & Rossetto, O. (2021). A UTILIZAÇÃO DO SEQUESTRO DE CARBONO PELOS SURUÍ EM SEU TERRITÓRIO ANCESTRAL. Congresso Brasileiro Da Guerra Do Contestad; Colóquio De Geografias Territoriais Paranaenses E Semana De Geografia Da UEL, 2, 166-182. Recuperado de http://anais.uel.br/portal/index.php/contestado/article/view/919