O BRINCAR NA PSICOTERAPIA ANALÍTICO COMPORTAMENTAL INFANTIL: RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA

  • Lilian Cristiane Almirão Juliani
  • Taciana Cristina Alves Souza
  • Silvia Aparecida Fornazari
Palavras-chave: Psicoterapia infantil, Comportamento infantil, Psiquiatria infantil, Jogos e brinquedos

Resumo

INTRODUÇÃO: Diferentemente da psicoterapia de adulto, em que o cliente expõe verbalmente seus sentimentos, a psicoterapia infantil encontra dificuldades nesse sentido, o que pode prejudicar o processo terapêutico. Assim, o brincar em uma psicoterapia infantil apresenta-se como uma alternativa ao relato verbal para a obtenção de informações acerca das variáveis comportamentais da criança. Alternativa que pode se expressar através de atividades como desenhar ou contar histórias, imaginar e interpretar situações, usar bonecos e jogos, colagens, músicas, entre outros instrumentos que pretendem representar uma situação natural para a criança e um ambiente propício à exposição de seus sentimentos, cabendo ao terapeuta identificar a melhor estratégia a ser utilizada em cada caso. O brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança e facilita a aprendizagem de comportamentos adequados, o falar de seus sentimentos, a descrição de seus comportamentos e eventos importantes, a formação de vínculo entre terapeuta-cliente, dentre outros. OBJETIVOS: Analisar as contribuições do brincar em uma psicoterapia infantil. METODOLOGIA: O trabalho baseia-se na experiência obtida no projeto de extensão “Psicologia Clínica e Comportamental para Pais com Filhos em Tratamento Psiquiátrico”, no atendimento a uma criança do sexo masculino, 8 anos, diagnosticada com Transtorno Opositor Desafiante. A criança permaneceu na terapia por três meses, sendo feita a intervenção por duas terapeutas. Utilizou-se do jogo Pula Pirata, atividades de desenho livre e ao ar livre, construções de origami, brincadeira com blocos de madeira e sessão de cinema. RESULTADO E DISCUSSÃO: Ao longo do processo, foi possível identificar o desenvolvimento de vínculo, devido ao cliente expor informações pessoais que lhe causam sofrimento, de estar mais à vontade no setting terapêutico e demonstrações de carinho com as terapeutas através de abraços. Observou-se também os comportamentos problemas característicos do cliente. CONCLUSÃO: Portanto, além de apresentar os comportamentos problemas de maneira direta, a criança pode manifestar tais comportamentos de maneira indireta através de situações lúdicas como brincadeiras e outras atividades. A forma de lidar com os comportamentos problemas que aparecem na sessão por meio do brincar é muito mais contingente, além de proporcionar um ambiente não punitivo para vivenciar as queixas, adquirindo assim, alongo prazo, maior autocontrole.

Publicado
2018-06-19
Seção
Artigos