Representações Sociais e seu papel no processo de ensino e aprendizagem

  • Adriano José Ortiz Instituto Federal do Paraná – campus Ivaiporã, PR

Resumo

A teoria das Representações Sociais (RS) teve como precursor Moscovici, que é autor de 12 livros individuais e 14 organizados ou escritos em conjunto com outros autores a respeito do tema. Em seu primeiro trabalho esse autor evidencia a presença social da representação, de forma que a compreensão de um indivíduo é desenvolvida a partir da tipologia dominante, e muitas vezes exerce-se uma pressão coletiva para que o comportamento real coincida com as categorias geralmente admitidas. Nesse sentido as RS são uma preparação para a ação, que guia o comportamento ao mesmo tempo que remodela e reconstitui elementos do ambiente no qual esse comportamento deve ter lugar. Como exemplo, quando a Física Quântica é entendida dentro de um contexto homeopático (RS), isso justifica e permite que o Ministério da Saúde invista em procedimentos homeopáticos no SUS (ação). Para compreender o impacto dessas representações no ensino de Ciências e na formação de professores, precisamos diferenciar dois universos de saberes, o consensual e o reificado. O universo consensual é composto pelas RS, seus conhecimentos são construídos a partir de práticas interativas do cotidiano. Qualquer pessoa pode se expressar ou atuar como representantes dessas ideias, desde que faça parte do grupo ou coletividade que as construiu. Já o universo reificado comporta o conhecimento científico. Sua construção é caracterizada pela objetividade, rigor lógico e metodológico. Uma pessoa que se apresente como representante desse universo precisa ser reconhecida como tal, por meio do seu grau de qualificação.
O que torna as RS um conceito que merece atenção é seu papel de convenção e prescrição social. Como convenção elas possibilitam interpretar uma mensagem ou acontecimento em relação a outros, enquanto como prescrição elas se impõem e são transmitidas ao longo de gerações. Podemos identificar dois processos responsáveis pela construção dessas representações: a ancoragem, que atribui valores ao objeto, os categoriza e torna comuns e objetivação, que torna concreta a imagem do objeto. Com essa breve descrição das RS podemos compreender como elas podem interferir no processo de ensino e aprendizagem, se mostrando muitas vezes como um obstáculo para o mesmo. Como o processo de construção dessas representações guarda muitos paralelos com um processo de aprendizagem significativa, é necessário ficarmos atentos ao fato de que “aprender” não é o mesmo que “aprender corretamente”. Um exemplo dessa situação é que um aluno pode afirmar conhecer a terceira lei de Newton, “ação e reação”, porém quando vai explica-la, a confunde com a ideia de “causa e efeito”. Finalizamos esclarecendo que as RS não são necessariamente “inimigas” do conhecimento científico, porém ignorar sua existência pode dificuldades a estruturação de abordagens efetivas de ensino.

Publicado
2019-11-22
Seção
Resumos