TRANSFEMINICÍDIO E A LINGUAGEM DA IMPRENSA
UMA ANÁLISE DAS REPORTAGENS DA TV VITORIOSA E TV PARANAÍBA SOBRE O CASO CÁSSIA VIEIRA (UBERLÂNDIA/MG)
Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo investigar de que forma os termos e classificações empregadas em reportagens sobre feminicídios de mulheres trans/travestis refletem ou desafiam estereótipos de gênero. Para isso, formulei a seguinte questão central: de que maneira as escolhas de palavras e expressões feitas pela imprensa contribuem para a perpetuação ou contestação das normas de gênero? Metodologicamente, se trata de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo que utilizou a técnica de análise de conteúdo para interpretação dos dados presentes nas seguintes reportagens: “Mulher trans é assassinada em Uberlândia e suspeito de praticar o crime teria um caso com a vítima” da TV Vitoriosa e “Mulher trans é encontrada morta dentro de casa; homem diz ser autor do crime” da TV Paranaíba, ambas exibidas no dia 7 de maio de 2024. A justificativa para esta pesquisa repousa na necessidade de compreender e visibilizar as dinâmicas do transfeminicídio no Brasil, visto que nosso país apresenta os mais altos índices de homicídios de pessoas trans (Bento, 2014; Pinheiro, 2022; Rede de Mulheres Negras do Paraná, 2023), o que torna fundamental uma análise crítica das narrativas midiáticas que circulam sobre esses crimes. As considerações finais giram em torno da reflexão de que as reportagens minimizam a violência transfóbica ao tratar como conflito pessoal e reforçam estereótipos de gênero sem abordar a violência contra mulheres trans/travestis enquanto uma opressão estrutural.