FEMINICÍDIOS EM MINAS GERAIS E OS FATORES DAS CIDADES
Resumo
O número de feminicídios na escala atual sinaliza que o ápice das violências de gênero precisa concitar estudos, prevenção e políticas públicas sofisticadas. A investigação que aqui se expõe tem por objetivo a identificação de fatores das cidades, sobretudo estruturais e socioeconômicos, que possam ter relação com a ocorrência de feminicídios em seus territórios. A partir das análises e discussões de resultados, pretende-se evidenciar a relevância de algumas variáveis e refletir sobre prevenção de mortes violentas e intencionais de mulheres e acerca da elaboração de políticas que levem em conta, além das circunstâncias pessoais e intersubjetivas, absolutamente relevantes, também elementos do conjunto social. Para o estudo foram coletados dados sobre a incidência de feminicídios nas cidades de Minas Gerais, entre janeiro de 2018 e julho de 2024, assim como IDHM, IDHM Longevidade, IDHM Renda, IDHM Educação, PIB per capita, Índice de Gini, e a existência de CAPS. Efetuou-se a regressão linear múltipla pelo Método dos Mínimos Quadrados Ordinários para se aferir a variável dependente "número de feminicídios por 100.000 habitantes" a partir do grupo das outras ditas variáveis. Dentre os principais resultados alcançados, destaca-se que o modelo concebido é significativo e explica cerca de 25% da variância dos números de feminicídios. Ademais, a partir do estudo de correlação de Pearson, verificou-se que cidades onde há CAPS ou em que o IDHM é maior, o número de feminicídios é menor, em 40% e 30% dos casos, respectivamente. O modelo resistiu aos testes de confiabilidade