“TÁ LÁ O CORPO ESTENDIDO NO CHÃO”:
VIOLÊNCIAS E FEMINICÍDIOS NA ZONA RURAL SERGIPANA
Resumo
As meninas e mulheres do campo, quilombolas, extrativistas, sem terras e ribeirinhas estão expostas a uma série de violências. Neste artigo, a partir de revisão de literatura, dados censitários e reportagens veiculadas na imprensa sergipana, analisamos o número crescente de feminicídios, que ultrapassa o cenário doméstico, intrafamiliar e se espraia para o espaço público, como demonstração inconteste do ódio às mulheres que se propaga frente à conivência da sociedade e omissão do Estado, cujas políticas públicas de proteção e enfrentamento são pontuais ou mesmo inexistentes, pois, se, nos centros urbanos, os serviços da rede de proteção e atendimento às mulheres em situação de violência têm se mostrado tantas vezes incapazes de lhes oferecer segurança e acolhimento, nos municípios e povoados, assentamentos e comunidades, elas se deparam com o inacesso à justiça, já que os serviços e políticas que se configuram como portas de entrada para acolher suas demandas urgentes estão condicionados à vontade política dos gestores que, invariavelmente, não se dão conta da gravidade do problema. Desse modo, o feminicídio é relegado a segundo plano pelo Estado e, por conseguinte, condenado ao silenciamento e à invisibilidade, rompidos pela notícia divulgada pela imprensa de forma sensacionalista nos meios eletrônicos, cujas imagens do corpo estendido no chão e curiosidade voraz do/a leitor/a, logo mais, são esquecidas diante da reportagem seguinte e exposição da mais recente “morte de uma mulher por razões de gênero” (Abreu, 2023; Santos, 2023), ou seja, mais um feminicídio.