A HONRA QUE MATA
FEMINICÍDIO E CULPABILIZAÇÃO DAS VÍTIMAS
Resumo
O mito de Medusa revela aspectos sobre a culpabilização da mulher em contextos de violência. Ela foi estuprada por um deus e punida por uma deusa, por causa do crime sofrido. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar a repercussão do "feminicídio" de Ângela Diniz, ocorrido em 1976, na reconstituição do caso no podcast "Praia dos Ossos", Rádio Novelo, de 2020. Podcast é um gênero da internet, formato híbrido entre áudio e vídeo. Somente em 2023 é que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela ilegalidade da tese de legítima defesa da honra, usada no julgamento de Doca Street, responsável pelo feminicídio de Ângela Diniz. Antes do julgamento, ela era tida como vítima. No transcorrer, a vítima passou a ser o acusado do feminicídio. A inversão de papéis na violência contra a mulher demoniza e culpabiliza a vítima, perpetuando a ideia de que a "legítima defesa da honra" justifica a violência para proteger a moral masculina.