Serviço Social, Evidências e Expressões do Antropoceno nos territórios indígenas no litoral norte da Paraíba
Palavras-chave:
serviço social, questão socioambiental, antropoceno, povo potiguaraResumo
Este artigo, de autoria indígena, tem por objetivo analisar os desdobramentos da crise civilizatória no território Potiguara, localizado no litoral norte da Paraíba, articulando essa reflexão ao campo do Serviço Social e à questão social no contexto do Antropoceno. A investigação busca compreender como as transformações estruturais do capitalismo global se manifestam em escala local, afetando os modos de vida e as relações socioterritoriais nas comunidades indígenas, destacando-se, os fenômenos socioambientais ocorridos na Aldeia Forte, na qual os impactos climáticos tornam-se evidentes através da elevação do nível do mar. Fundamentado no materialismo histórico-dialético, realizado por meio de pesquisa bibliográfica e de campo, o estudo adota uma abordagem qualitativa que possibilita a apreensão da realidade Potiguara sob uma óptica crítica, histórica e totalizante. Os resultados apontam que a crise civilizatória vivenciada no território indígena constitui-se como expressão do colapso ambiental global, manifestado pela reestruturação produtiva imposta pela expansão do monocultivo canavieiro e da prática da carcinicultura, com rebatimentos no aprofundamento das desigualdades sociais e ambientais. O avanço dos oceanos representa outra expressão concreta da crise em curso, cujos efeitos têm acarretado às famílias indígenas perdas materiais e simbólicas, com incidência sobre os vínculos socioterritoriais e culturais historicamente constituídos. Ademais, o estudo indica a necessidade de o Serviço Social compreender a questão social não apenas como um fenômeno das contradições econômicas do capital, mas como uma questão de ordem ambiental, civilizatória e ontológica.
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