ANÁLISE DO ITINERÁRIO FORMATIVO DE QUÍMICA AMBIENTAL NAS ESCOLAS INDÍGENAS DO ESTADO DO PARANÁ
Palavras-chave:
Itinerário, Novo Ensino Médio, Educação Ambiental, Educação Intercultural, Saberes IndígenasResumo
A educação escolar indígena no Brasil é reflexo de um processo histórico de resistência e luta pela valorização dos saberes tradicionais. Com a implementação do Novo Ensino Médio e a introdução dos itinerários formativos, novas discussões surgiram sobre a integração entre o conhecimento científico e os saberes indígenas. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo analisar o itinerário formativo de Química Ambiental proposto para as escolas indígenas do estado do Paraná, investigando se o mesmo contempla a interculturalidade e contribui para a valorização das identidades indígenas. A pesquisa utilizou a abordagem qualitativa, descritiva e documental, fundamentada na análise de fontes oficiais como as Diretrizes Curriculares Estaduais, o Caderno de Itinerários Formativos (2024) e o Plano Político-Pedagógico de um colégio indígena do norte do Paraná. A investigação ocorreu em 2024, abrangendo também revisão bibliográfica em bases de dados como CAPES e SciELO. Os resultados indicaram que o itinerário, construído a partir de processos participativos com as comunidades indígenas, apresenta uma proposta interdisciplinar que busca relacionar os conteúdos científicos às práticas culturais e ambientais locais. A forma de abordagem prioriza a visão indígena de território e natureza, e busca desenvolver um ensino crítico e contextualizado. Conclui-se que o itinerário, se adequadamente implementado, pode fortalecer a educação intercultural, promover a valorização dos saberes tradicionais e até mesmo contribuir para uma educação ambiental decolonial, voltada à sustentabilidade e à reafirmação da identidade indígena.