Geografia Esquecidas:

a discussão socioterritorial na revolta da vacina

  • Osmar Fabiano de Souza Filho Universidade Estadual de Londrina
  • Giovana Silva Rocha
Palavras-chave: Território; Movimento popular; Indignação popular

Resumo

Este artigo é resultado de uma investigação que tem como objetivo central discutir o movimento socioterritorial concebido com a Revolta da Vacina, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em 1904, e como o mesmo se materializou no território da capital fluminense, sendo um movimento de resistência no/pelo território. Entende-se que muitas vezes a ciência geográfica negligencia a constante luta de sujeitos e movimentos que também se fazem importantes social e geograficamente. Desta maneira, o trabalho se propõe a recuperar geografias ignoradas e trazer às abordagens geográficas discussões acerca de movimentos e povos historicamente marginalizados pelas historiografias oficiais. Parte-se do princípio de algumas agitações, que fizeram parte do Rio de Janeiro e do início do Brasil República, como greves, motins e revoltas, afetavam de modo significativo a organização da cidade, e outras interferências no território que influenciavam diretamente toda a população carioca e vieram a culminar num movimento de luta pelo território. A Revolta Vacina surge então neste contexto de indignação social que acometia a sociedade, sobretudo a marginalizada, diante de medidas impostas autoritariamente pelas elites nacionais. Esse movimento, de caráter popular, parte da exaltação do povo negro diante a vacinação compulsória, mas, para além disso, se mostrava contrário também às diversas medidas aplicadas pelo governo que visavam sua exclusão da vida em sociedade.

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Publicado
2021-02-17
Como Citar
Filho, O. F., & Rocha, G. (2021). Geografia Esquecidas:. Congresso Brasileiro Da Guerra Do Contestad; Colóquio De Geografias Territoriais Paranaenses E Semana De Geografia Da UEL, 2, 393-408. Recuperado de http://anais.uel.br/portal/index.php/contestado/article/view/910