A arte nas ruas e as ruas na arte

um estudo sobre sustentabilidade afetiva

  • Nicole Pavão Simão Universidade Estadual de Londrina
  • Sonia Regina Vargas Mansano Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Sustentabilidade, arte, população em situação de rua, políticas públicas

Resumo

A população em situação de rua é um dos grupos urbanos que mais sofre com a violência e intolerância. Além da fome e da miséria, ela é submetida a um processo de invisibilidade que cerceia seus direitos básicos como moradia e saúde. Ao considerar esse fato, a presente pesquisa documental teve por objetivo identificar e analisar o papel da arte e da cultura na construção de vínculos entre a população que se encontra em situação de rua, a sociedade e o espaço urbano. Para isso, a pesquisa foi dividida em dois momentos distintos: um teórico e um prático. No primeiro momento, foi realizada uma análise teórica sobre os centros urbanos, a população em situação de rua e a sustentabilidade afetiva. No momento prático, valendo-se de um levantamento em documentos de domínio público, composto por reportagens de jornais e blogs, buscou-se encontrar relatos que relacionassem a população em situação de rua e a arte. Após o levantamento foi possível dividir os resultados em três categorias distintas: 1) Histórias sobre moradores de rua que, por meio da arte, formam um novo vínculo com a sociedade; 2) Projetos sociais que se utilizam da arte para se aproximar da população em situação de rua; 3) Artistas que abordam o tema da situação de rua para sensibilizar a sociedade. Dentro dessas categorias, foi possível identificar e analisar a heterogeneidade dessa população, os modos pejorativos como são avaliados e como a arte pode se tornar uma forma de expressão e promoção de afeto. Isso porque ela leva em consideração a subjetividade e dá visibilidade a uma população que geralmente é esquecida ou desqualificada por termos que a naturaliza na preguiça, sujeira, vagabundagem e fracasso pessoal. A partir dessas discussões, conclui-se que a arte contribui para fortalecer a sensação de pertencimento por parte dessas populações negligenciadas pelo poder público. Ela pode servir como uma potente ferramenta das políticas públicas para aproximar-se e se vincular a grupos marginalizados que vivem diariamente uma insustentabilidade econômica e afetiva. 

Publicado
2018-11-08