A imperfeição e o nariz vermelho: aspectos do palhaço despertando possibilidades de humanização no cuidar

  • Alice de Souza Martins Universidade Estadual de Londrina
  • Carolline de Castro Lima Universidade Estadual de Londrina
  • Isabelle Oliveira Ribeiro Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: humanização, palhaço, contexto hospitalar

Resumo

Este trabalho concerne ao Projeto de Extensão Sensibilizarte, e visa explanar os conceitos que norteiam a prática do palhaço de hospital relacionados aos princípios da humanização, para tal, este estudo tem caráter exploratório e foi constituído a partir de uma pesquisa bibliográfica. Na história do palhaço, existem duas figuras clássicas: o Branco e o Augusto. O Branco representa elegância, inteligência e moral, isto é, aquilo que é socialmente valorizado. Enquanto o Augusto seria seu contraponto, o lado irracional do homem, o rebelde que contesta a ordem, cercado de erros e fracassos. Deste modo e através dessas duas figuras em cena, a arte do clown visa a desconstrução e valorização do que há de mais humano: o erro, a vulnerabilidade e a ingenuidade. Assim, o palhaço se utiliza das próprias fraquezas e imperfeições como parte intrínseca do viver, trazendo aspectos diferentes aos encontrados no convívio social, onde estimula-se que o sujeito evite transparecer suas limitações ao outro. Portanto, o hospital que é um ambiente reconhecido como um lugar de sofrimento, marcado pela predominância do discurso biomédico, ganha novas perspectivas quando “doutores palhaços” adentram a este ambiente, fazendo paródia dos doutores, e despertando o lúdico e o riso em outros modos de cuidar. Essa atuação sempre se dá a partir do que o público deseja, e o palhaço visa trocar a dor do paciente pelo riso, superando a noção de que o paciente é apenas a doença que o trouxe ali. Nesse sentido, o nariz vermelho tem um grande papel, sendo como um código de libertação, onde o palhaço pode trazer o riso através do erro, suscitando vida em tais contextos comumente interpretados com seriedade. Esta forma de cuidar, visa incluir o paciente no gerenciamento de seus processos de saúde, buscando concretizar os princípios da Política Nacional de Humanização (PNH), estabelecida a partir de 2013, que são: Transversalidade, Indissociabilidade entre atenção e gestão e Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e dos coletivos. Deste modo, atuar como palhaço de hospital, capacita os estudantes a levarem parte dessas vivências para suas práticas como profissionais da saúde, as tornando mais humanizadas.

Publicado
2018-11-08