Contribuições da prática do clown para humanização do psicoterapeuta e eficiência da relação terapêutica

  • Gustavo Sinhorini Menegon Universidade Estadual de Londrina
  • Amanda Lotterman de Lima Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Psicoterapia Analítico Funcional, prática do clown

Resumo

A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) busca a mudança comportamental pautada no relacionamento terapêutico como instrumento de intervenção. As interações no contexto clínico são predominantemente verbais, ocorrendo através do compartilhamento de relatos do ambiente externo e de autorrevelações. Dentro de uma interação íntima, a autorrevelação é validada por outra pessoa, logo se deve estar aberto a consequências como críticas ou punições. Logo, a audiência não-punitiva por parte do(a) psicoterapeuta é essencial tanto para o estabelecimento do vínculo quanto para o desenvolvimento da terapia. Destarte, objetiva-se demonstrar como a prática do Clown é capaz de propiciar um aprendizado de humanização pelos psicoterapeutas. Foram investigadas bibliografias acerca da FAP e da prática do Clown que apresentassem aspectos de cada técnica que possibilitassem um diálogo entre ambas. O(A) psicoterapeuta que passa pelo processo de construção de seu Clown aprende a ser reativo e sincero para com a demanda de seu público, nesse caso, seu(a) cliente, desenvolvendo, assim, uma relação de intimidade e de escuta não punitiva. Ademais, a FAP enfatiza a importância da expressão de emoções e sentimentos no processo terapêutico - o psicoterapeuta acolhe as necessidades do cliente para que ele não se esquive dessas experiências. Caso o(a) psicoterapeuta mantenha uma posição puramente técnica e uma expressão facial impessoal, ele(a) pode vir a punir os comportamentos vulneráveis do(a) cliente em relação a ele(a) e diminuir a possibilidade de que o(a) cliente se expresse abertamente no futuro. Quando psicoterapeuta e cliente valorizam comportamentos vulneráveis à punição interpessoal, uma relação íntima bidirecional é construída. Portanto, o(a) terapeuta também se coloca como vulnerável dentro dessa relação, o que pode ser aprendido através de sua experiência como Clown, dado que essa figura é demasiada humana - é a própria personificação de sua fragilidade e do erro. Enquanto Clown, o(a) psicoterapeuta entra em contato com seu “eu exacerbado”, possibilitando se sentir o mais vulnerável possível, que é a forma com que o cliente se encontra dentro do processo psicoterapêutico.  Portanto, a prática do Clown é humanizadora, visto que promove a criação de laços mais sinceros e empáticos entre cliente e psicoterapeuta, contribuindo para a efetividade da FAP.

Publicado
2018-11-12