Desenvolvimento pessoal e profissional de clowns por meio do processo da capacitação

relato de experiência

  • Yan Domene Bessani Universidade Estadual de Londrina
  • Isabelle Oliveira Ribeiro Universidade Estadual de Londrina
  • Poliana Mesquita Sanches Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: humanização em saúde, palhaço, clown, capacitação, formação contínua

Resumo

O palhaço atua por recursos artístico-expressivos, escancarando o erro, o ridículo, o absurdo. O lúdico na arte do clown manifesta-se no ambiente hospitalar trazendo novidade, dinamicidade e alegria para as relações humanas, levando a um cuidado humanizado. Ao iniciar o processo do clown, o aspirante não deve atuar um personagem pré-estabelecido, mas descobrir em si a parte clownesca que o habita. Assim, a frente do palhaço do projeto de extensão Sensibilizarte oferta um período de iniciação do palhaço de hospital, denominada capacitação. Desta forma, este trabalho objetiva expor e discutir as transformações pessoais que aconteceram no processo de capacitação de três colaboradores da frente, mediante relatos de experiência, parcialmente transcritos: “Entrei na capacitação questionando minha capacidade de estar ali; queria saber exatamente o que estava acontecendo nos exercícios, achava-me muito fracassada. Acho que o mais legal foi descobrir que era uma excelente fracassada, as pessoas aplaudiam meus erros, literalmente aplaudiam. Riam do meu embaraço em não achar as respostas certas, que nem existiam. Foi assim que descobri que ser eu mesma, ser errante, é a forma mais verdadeira de se conectar com outras pessoas.” (Relato 1); “Para mim, a parte mais difícil das capacitações foi aceitar que eu não era bom o suficiente. Construí uma imagem de quem imaginava ser e identifiquei-me com ela. Foi custoso perceber que era apenas mais uma máscara. O processo de superação foi aceitar que falha e erro fazem parte do palhaço. É do inesperado que surge o cômico, a identificação com o ridículo. É o erro que nos proporciona a maior das oportunidades” (Relato 2); “Quando começamos as capacitações, achava que iríamos criar um personagem com características próprias e ensaiar atuações. Descobri que não havia construção de palhaço, meu palhaço já estava ali: era eu, da maneira mais crua e singela possível. O que senti foi uma desconstrução das barreiras que me escondiam, omitiam meus erros e dificuldades e ocultavam minhas fragilidades.” (Relato 3). Conclui-se, através dos relatos, que a capacitação tem um valor diferente para cada um, mas, de alguma forma, algo em comum: é um processo de desconstrução e confronto de si.

Publicado
2018-11-08