Diversos olhares sobre a contação de histórias

perspectivas de profissionais da saúde

  • Ana Carolina de Moraes Silva Universidade Estadual de Londrina
  • Maíra Bonafé Sei Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: humanização em saúde, recursos expressivos, contação de histórias

Resumo

A Contação de histórias é um recurso expressivo, criativo e dinâmico. O ato de contar histórias é universal, necessitando apenas de um interlocutor e um ouvinte, estando essa atividade presente no cotidiano. O projeto Sensibilizarte se utiliza da potencialidade desse recurso, fazendo da Contação de Histórias uma das frentes de atuação do projeto, a fim de aliviar os sofrimentos causados pela hospitalização. Diante deste cenário, almejou-se compreender a contribuição da Contação de histórias na Humanização e na formação dos profissionais de saúde, a partir de relatos de profissionais, ex-integrantes do projeto Sensibilizarte. Optou-se pela realização de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, a partir de entrevistas semidirigidas, realizadas com dezesseis profissionais da saúde. Com fins de ilustração, apresenta-se um recorte do relato de 5 participantes, formados há mais de um ano e meio, com foco em suas percepções sobre o que é a Contação de histórias. O número de participantes para este trabalho seguiu o critério da variabilidade de tipos, com amostra composta por profissionais representantes das diferentes áreas da saúde que compõem o projeto: medicina, psicologia, fisioterapia, enfermagem e odontologia. A partir da resposta à pergunta norteadora final: “resuma a Contação de histórias”, pode-se perceber que a maior parte dos participantes entende a Contação de histórias como uma relação de troca, de desenvolvimento de empatia, benéfica na relação entre o profissional de saúde e o paciente, sendo esse recurso caracterizado como um caminho de possibilidades ao novo, permitindo uma fala diferenciada. Os resultados demonstram o impacto de contar histórias no contador, surgindo apontamentos para o desenvolvimento de autoconhecimento, apontando para o processo de tornar-se mais sensível e vulnerável. Também houveram apontamentos frente à necessidade de atenção do paciente e a pessoalidade da relação e escolha das histórias. Discute-se, portanto, os sentimentos despertados pela Contação de histórias nos profissionais que passaram por tal experiência durante a graduação, refletindo sobre a relação transferencial que se instaura de diversas maneiras. Depara-se com a singularidade do trabalho de contar histórias, concluindo que cada indivíduo possui sua própria forma de organizar as palavras, expressá-las e de se fazer presente para o outro.

Publicado
2018-11-12