O palhaço e a relação Branco-Augusto como possibilidade de autonomia ao paciente

relato de experiência

  • Poliana Fernandes Mesquita Sanches Universidade Estadual de Londrina
  • Yan Domene Bessani Universidade Estadual de Londrina
  • Isabelle Oliveira Ribeiro Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Humanização em Saúde, palhaço, clown Branco e Augusto, autonomia ao paciente

Resumo

A humanização na saúde busca qualidade tanto nos serviços, como nas relações intersubjetivas, além de relacionar-se com os valores da pessoa humana, que, por estar doente, não perde sua dignidade, liberdade e autonomia. A intervenção de palhaços (do inglês, clown) no hospital, portanto, é vista como mecanismo facilitador e promotor da humanização. Isso ocorre, pois, a relação paciente-palhaço devolve, ao paciente, a possibilidade de escolhas e controle de seu corpo e sua vida — que lhe são retirados quando em situação de hospitalização. Os tipos clássicos de clowns — Branco e Augusto — proporcionam essa autonomia e liberdade ao paciente: o Branco é aquele que manda e o Augusto o que obedece, sendo que, na relação paciente-palhaço, o paciente escolhe se tomará posição de Branco, Augusto ou se, sequer, criará uma relação com o clown. Portanto, com o objetivo de discutir e caracterizar a maneira que se configura a interação clown-paciente, enquanto mecanismo de humanização, o presente trabalho consiste no relato de experiência de palhaços colaboradores do projeto de extensão Sensibilizarte. Constatou-se que pacientes hospitalizados, involuntariamente, são colocados na posição de Augusto, sem voz, opção de escolha e autonomia, como é explicitado no trecho de um dos relatos “(...) no hospital, algumas enfermeiras me disseram que não precisava entrar em determinado quarto, porque o menino era pequeno, indígena e não sabia falar português, ou seja: a equipe estava decidindo por ele”. Além disso, os relatos mostraram que a oportunidade de escolha é, de fato, proporcionada pelos palhaços, como convite ao paciente a reestabelecer domínio sobre suas ações: “(...) a possibilidade de escolha que o Clown oferece ao paciente é onde mora a magia. Ao perguntar 'posso entrar?', damos ao paciente a possibilidade da posição de branco. É o paciente que decide o que quer ser. Augusto ou branco ”. Relataram-se, inclusive, situações em que o paciente recusa a interação com o clown, evidenciando o poder de escolha que o palhaço disponibiliza ao paciente. Conclui-se que há no palhaço uma potencialidade e capacidade de humanização nos contextos hospitalares, principalmente no que tange à disponibilidade e restabelecimento da autoridade e poder de escolha do paciente.

Publicado
2018-11-08