Palhaçoterapia e a criança hospitalizada: a prática despertando novas perspectivas sobre o sofrimento

  • Carolline de Castro Lima Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: promoção de saúde, arte, humanização, hospitalização infantil

Resumo

O contexto hospitalar é comumente reconhecido como um ambiente cercado de angústias e anseios. Visando minimizá-los e a fim de atuar como promotor de saúde ao sujeito em sofrimento, busca-se integrar modalidades artísticas a um cuidado e assistência mais humanizada. A palhaçoterapia surge como um instrumento que possibilita uma ressignificação desse contexto em específico, trazendo risos, traços lúdicos e coloridos ao ambiente naturalmente visto com seriedade e tristeza. A experiência relatada no presente trabalho explana uma vivência no setor pediátrico de um hospital universitário de nível terciário localizado no interior do Paraná, onde por meio das atividades práticas do projeto de extensão em humanização Sensibilizarte, mais específico à frente de atuação como palhaço, acreditou-se operar sobre as angústias que uma criança em internação depositava em sua hospitalização. Considerando que um olhar positivo pode abarcar uma gama de possibilidades que fortalecem a busca pela saúde física e mental, bem-estar e resiliência, partiu-se desse posicionamento no contato com um menino de 7 anos que chorava continuamente e se queixava de dor abdominal. A criança se encontrava acompanhada de seus responsáveis e ao ceder permissão pela entrada dos palhaços, exibia em suas lágrimas a angústia sentida. A fim de intervir não só com a criança, mas também com seus acompanhantes, os palhaços utilizando de um faz-de-conta, instruíram a criança a acreditar magicamente que possuía um poder sobre sua dor. Para isso, era necessário que, juntamente com seus pais, repetissem a seguinte frase por três vezes consecutivas: “não vai doer meu dodói”. De mãos dadas e olhos fechados, a criança e seus pais reproduziram o que foi solicitado pelos palhaços e, timidamente, o constante choro deu lugar a respirações mais profundas e amenas. Espera-se que esta breve intervenção possa ter contribuído para o tratamento da criança hospitalizada, pois além de incitar no desenvolvimento de perspectivas positivas sobre sua doença, atuou-se no fortalecimento do vínculo familiar, considerando que a internação hospitalar é um processo de afetos compartilhados entre o paciente e quem o acompanha.

Publicado
2018-11-08