De pedra e de preto

o embranquecimento do Candomblé pela urbe

Autores

  • Gabriel Pereira Garcia Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGAS/UFMS)
  • Francesco Romizi Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FACH/UFMS)

Palavras-chave:

candomblé, antropologia urbana, urbanização

Resumo

A relação entre a cultura africana preservada nos candomblés e a inserção do homem branco nessa religiosidade, tem no fenômeno da urbe uma ligação indissociável. O presente trabalho possui por objetivo propor uma reflexão sobre como a Teoria Antropológica Urbana e do Espaço podem ser capazes de evidenciar o processo de embranquecimento do Candomblé no Brasil, a partir dos impactos que o território exerce e influencia nessa religiosidade. Para tanto, por meio de uma pesquisa bibliográfica, busca entender os fatores que levaram os negros às urbes e a forma pela qual foram conduzidos/direcionados/forçados a ocupar esses espaços nas cidades é importante ponto de partida para a compreensão de como o fenômeno da urbanização também influenciou o contato dos brancos com a religiosidade negra. Nesse ínterim, é importante refletir sobre como a cidade tem um caráter agregador de uma heterogeneidade de indivíduos, mas que ao mesmo tempo traz em si uma força segmentadora das relações sociais, observadas pelos seus reflexos na territorialidade, ou seja, na ocupação desses espaços urbanos, sobretudo quando a cidade se revela como consumidora de homens e se verifica o impacto da matéria prima imigrante em detrimento da negra. Nesse contexto, a voracidade do capitalismo é expressada na organização espacial da cidade, uma selva de pedra. Esta, por sua vez, torna-se um dos fatores proporcionadores do maior contato do homem branco com candomblé, o qual cria laços pelo exercício da solidariedade, sendo esse
princípio informador da cosmovisão africana e reminiscente de uma “sociedade primitiva” vivida nos terreiros e que, em um contexto urbano, torna-se verdadeira ilha de resistência cultural e exercício de sobrevivência em contraposição a um epistemicídio oriundo da vida na cidade.

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Biografia do Autor

Gabriel Pereira Garcia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGAS/UFMS)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGAS/UFMS). Especialista em Gestão Financeira Empresarial Estratégica pela Universidade do Oeste do Paraná (UNOPAR). Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FADIR/UFMS).

Francesco Romizi, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FACH/UFMS)

Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(FACH/UFMS) e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFMS)
da mesma universidade.

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Publicado

2026-07-28