ARQUITETURA, MEMÓRIA E IDENTIDADE
a Basílica do Voto Nacional e a Construção Simbólica do Equador (1883–1988)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6306Palavras-chave:
Gárgulas, Identidade Nacional, Memória, Neogótico, Representação UrbanaResumo
Este artigo analisa a Basílica do Voto Nacional de Quito, no Equador, como monumento urbano e dispositivo de memória, a partir de seu contexto político, social e religioso, entre os séculos XIX e XX. Em meio às disputas entre liberais e conservadores, o governo de Gabriel García Moreno fortaleceu a aliança entre Estado e Igreja, culminando na consagração do país ao Sagrado Coração de Jesus e na decisão de edificar a basílica em estilo neogótico. Inspirada em modelos europeus, a construção rompeu com a tradição barroca colonial e resgatou elementos da arquitetura gótica medieval reinterpretados no contexto local, tornando-se símbolo da identidade nacional equatoriana. Destacam-se cerca de sessenta gárgulas representando animais da fauna local, que substituem o simbolismo moralizante medieval por referências territoriais e identitárias da nação. Produzidas por artesãos equatorianos, essas esculturas converteram-se em ícones culturais e patrimoniais, participando da construção de um imaginário urbano que articula memória, poder e identidade. A análise dialoga com estudiosos como Georges Duby, Umberto Eco e Janetta R. Benton, entre outros, para compreender o neogótico e o neomedievalíssimo como linguagens históricas mobilizadas na afirmação simbólica da cidade e da nação.
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