DA FÁBRICA DE CARTUCHOS AO PARQUE REALENGO
mobilização social e disputa territorial na Zona Oeste do Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6380Palavras-chave:
patrimônio histórico, parques urbanos, movimentos sociais, justiça climática, conflito fundiárioResumo
Em junho de 2024 foi inaugurado o Parque Realengo Susana Naspolini, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da divulgação entusiasmada da prefeitura, sua concretização resulta de uma reivindicação histórica dos moradores do bairro pela destinação pública de uma área remanescente da antiga Fábrica de Cartuchos do Exército Brasileiro. A desativação da fábrica, em 1977, deixou um amplo vazio urbano em um bairro marcado por alta densidade populacional, elevadas temperaturas e histórico déficit de áreas verdes e de lazer. Este artigo analisa a trajetória de disputa em torno dessa área e os agentes envolvidos. De um lado, movimentos e iniciativas sociais que reivindicavam a criação de um parque ecológico e a preservação da memória associada ao antigo complexo industrial. De outro, o Exército, que planejava construir um condomínio residencial para militares, e a administração municipal, que por anos autorizou o descarte de resíduos sólidos no terreno. Argumenta-se que o Parque Realengo evidencia um caso exemplar de disputa territorial periférica, no qual instrumentos como o tombamento, a mobilização cultural e as reivindicações socioambientais foram acionados para contestar a destinação da área, defender a história do bairro e afirmar o direito da população de intervir nos rumos de seu território.
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