DO PLANO AMARAL PEIXOTO AO PROJETO TURIS
a urbanização regional do litoral fluminense a partir do turismo (1940-1973)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6539Palavras-chave:
História do Urbanismo, Planejamento Urbano e Regional, Cidades Novas, Interescalaridade , InfraestruturaResumo
A partir da concepção do lazer como produto do sistema capitalista e da Natureza como mercadoria – fenômeno amplamente difundido no cenário internacional desde o século XIX e intrinsecamente vinculado à constituição das chamadas cidades de lazer –, o presente artigo analisa o processo de produção do espaço no litoral fluminense, tomando o turismo como vetor de urbanização interescalar no período compreendido entre 1940 e 1973. No contexto brasileiro, sabidamente, tais experiências manifestaram-se de forma pontual, seja por iniciativa estatal, seja pela atuação de agentes privados; contudo, este estudo busca identificar o momento em que essa lógica ultrapassa a escala local, passando a conformar estratégias de alcance regional. Com base em documentação do Acervo Abelardo Coimbra Bueno, são examinados dois estudos de caso particularmente elucidativos: o Plano Amaral Peixoto (1940), que instituiu uma divisão funcional do estado do Rio de Janeiro entre zonas industriais e turísticas, promovendo a elaboração de planos urbanos para cidades serranas e litorâneas, com a participação da Coimbra Bueno e Cia. Ltda.; e o Projeto TURIS (1973), empreendido pela Embratur com vistas à exploração turística do eixo Rio-Santos, no âmbito do qual emergem indícios de um projeto para a mesma área atribuído ao arquiteto Georges Candilis, autor do plano para a região litorânea francesa de Languedoc-Roussillon. Em ambos os casos, evidencia-se a articulação entre múltiplas escalas, agentes e instituições, destacando-se o turismo como operador territorial central na formulação de projetos regionais para a costa fluminense.
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