CORPOS LEMBRADOS, CORPOS APAGADOS

corpo normativo, memória disciplinar e representações do urbano

Autores

  • Denis Ferri Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6540

Palavras-chave:

corpo, representações urbanas, memória disciplinar, memória urbana

Resumo

Este artigo examina como certas representações canônicas do urbano, sedimentadas na tradição ocidental da arquitetura e do urbanismo, converteram um corpo historicamente situado em medida aparentemente universal da cidade. A partir de uma abordagem historiográfica e interpretativa, analisa a passagem do corpo como analogia de ordem ao corpo como modelo normativo de proporção, organização e legitimidade espacial, mostrando como essa operação participou da produção de uma memória disciplinar seletiva. Em diálogo com formulações clássicas e leituras críticas posteriores, sustenta que tais representações não atuam apenas no plano formal ou iconográfico, mas organizam regimes de visibilidade, pertencimento e exclusão. Argumenta, assim, que a universalidade reiterada pelo cânone urbano se ancorou recorrentemente em um corpo masculino, normativo e excludente, relegando outros corpos à ausência, à marginalidade ou à figuração residual. Ao articular corpo, representação e memória disciplinar, o artigo propõe que a preservação do urbano também envolve a crítica aos repertórios que definem quem pode aparecer como sujeito legítimo da cidade.

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Publicado

08-09-2026

Como Citar

FERRI, Denis. CORPOS LEMBRADOS, CORPOS APAGADOS: corpo normativo, memória disciplinar e representações do urbano. Anais do 19º Seminário de História da Cidade e do Urbanismo, [S. l.], v. 1, n. 1, 2026. DOI: 10.4025/shcu.v1i1.6540. Disponível em: https://anais.uel.br/portal/index.php/shcu/article/view/6540. Acesso em: 17 set. 2026.

Edição

Seção

Eixo 3 — Representações, Memória e Preservação do Urbano