CORPOS LEMBRADOS, CORPOS APAGADOS
corpo normativo, memória disciplinar e representações do urbano
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6540Palavras-chave:
corpo, representações urbanas, memória disciplinar, memória urbanaResumo
Este artigo examina como certas representações canônicas do urbano, sedimentadas na tradição ocidental da arquitetura e do urbanismo, converteram um corpo historicamente situado em medida aparentemente universal da cidade. A partir de uma abordagem historiográfica e interpretativa, analisa a passagem do corpo como analogia de ordem ao corpo como modelo normativo de proporção, organização e legitimidade espacial, mostrando como essa operação participou da produção de uma memória disciplinar seletiva. Em diálogo com formulações clássicas e leituras críticas posteriores, sustenta que tais representações não atuam apenas no plano formal ou iconográfico, mas organizam regimes de visibilidade, pertencimento e exclusão. Argumenta, assim, que a universalidade reiterada pelo cânone urbano se ancorou recorrentemente em um corpo masculino, normativo e excludente, relegando outros corpos à ausência, à marginalidade ou à figuração residual. Ao articular corpo, representação e memória disciplinar, o artigo propõe que a preservação do urbano também envolve a crítica aos repertórios que definem quem pode aparecer como sujeito legítimo da cidade.
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