SALVADOR E AS MATRIZES DO TRAÇADO DE ORIGEM PORTUGUESA
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6566Palavras-chave:
Morfologia Urbana, Traçado Urbano, Salvador, História Urbana, Urbanismo de Matriz PortuguesaResumo
Este artigo investiga a gênese morfológica do traçado colonial de Salvador, com o objetivo de compreender as relações entre a configuração de seus espaços urbanos e as características do sítio. Parte-se da hipótese de que a urbanística portuguesa, ao privilegiar a adaptação à topografia e a valorização de posições elevadas e defensivas, atribuiu às condicionantes geográficas um papel determinante na organização morfológica da cidade. A análise apoia-se na abordagem proposta por Sérgio Padrão Fernandes (2014), que identifica princípios compositivos na formação das cidades portuguesas, com ênfase nos efeitos modeladores do sítio e na construção de traçados complexos a partir de matrizes elementares. Com base em cartografias históricas e estudos de reconstituição urbana, foi elaborado um conjunto de representações gráficas em ambiente QGIS, permitindo a leitura do traçado entre os séculos XVII e XVIII a partir de mapas temáticos que incorporam dados topográficos, usos do solo e outras condicionantes. A análise aponta que a complexidade formal do traçado de Salvador decorre de uma ordem compositiva implícita, na qual intenções geométricas se adaptam e deformam à paisagem para consolidar hierarquias urbanas. Conclui-se que o sítio atuou como guia morfológico, convertendo condicionantes topográficas em elementos de diversidade e identidade do traçado luso-brasileiro.
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