A CIDADE CONSTRUÍDA A PARTIR DO INVIÁVEL
Necropolítica, Silêncios Historiográficos e a Produção Legal da Desigualdade em Juiz de Fora (MG)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6570Palavras-chave:
História urbana, Juiz de Fora, necropolítica, Segregação Socioespacial, territorialidades insurgentesResumo
Este artigo propõe uma revisão crítica da historiografia urbana de Juiz de Fora (MG), alinhando-se à temática "Pensar Fora do Eixo" na história da cidade e do urbanismo. Argumenta-se que as narrativas tradicionais, ao privilegiarem o progresso industrial e o protagonismo das elites, produziram silenciamentos sistemáticos sobre as maiorias que efetivamente construíram o espaço urbano: populações indígenas dizimadas, negros escravizados e seus descendentes, imigrantes explorados e trabalhadores periféricos. Adotando a perspectiva da história a partir das margens e o referencial teórico da necropolítica, analisa-se como o urbanismo juiz-forano operou como dispositivo de produção legal da desigualdade, confinando a população pobre às áreas de risco geológico. O conceito de "inviável", físico (topografia acidentada) e social (populações descartadas), orienta a análise da produção ativa da desigualdade no território. A análise genealógica dos marcos regulatórios demonstra que a segregação socioespacial não é efeito colateral, mas objetivo estruturante do planejamento urbano das elites. Conclui-se que a catástrofe climática de 2026 não é fatalidade, mas resultado histórico de um projeto de cidade que priorizou lucro e acumulação em detrimento da vida marginalizada, exigindo uma nova ética historiográfica capaz de reconhecer as territorialidades insurgentes que historicamente resistiram a essa lógica.
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