UMA APROXIMAÇÃO À PRODUÇÃO DO ESPAÇO TURÍSTICO-IMOBILIÁRIO E SUAS RESISTÊNCIAS
análise do caso da APA de Maricá, RJ
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6591Palavras-chave:
urbanização neoliberal, região metropolitana, turismo, resistências, planejamento subversivoResumo
Este trabalho pretende uma análise crítica das dinâmicas de produção do espaço na Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, Rio de Janeiro, à luz da expansão metropolitana orientada pelo turismo. Pretende-se analisar as dinâmicas na APA como expressão localizada de processos globais de reestruturação metropolitana, financeirização e acumulação por despossessão, incluindo as resistências locais a estes processos. Partindo do entendimento do mercado do solo como “maquinaria segregadora”, indaga-se como a lógica do capital turístico-imobiliário global, amparada por discursos de “desenvolvimento sustentável”, promove uma urbanização extensiva e conflituosa. Este artigo procura articular o conceito de produção social do espaço de Henri Lefebvre; a análise histórica de Mike Davis e seu conceito de “planeta favela”; a teoria do reescalonamento estatal de Neil Brenner; e as propostas de planejamento subversivo de Rainer Randolph e insurgente de Faranak Miraftab. Através do estudo do megaempreendimento Maraey e suas resistências, argumentamos que a transformação da paisagem protegida em mercadoria, como enclave turístico-imobiliário de luxo, atualiza, sob nova forma espacial, a violência fundiária e a segregação espacial do colonialismo. As resistências ao megaempreendimento, nas comunidades tradicionais de Zacarias e Mata Verde Bonita, encarnam a potência de um planejamento alternativo, enfrentando as lógicas hegemônicas de produção do espaço urbano.
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