PRETÔGONISMOS URBANOS
oralidade operária como documento e produção espacial
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6607Palavras-chave:
pretôgonismos urbanos, memória urbana, trabalhadores da construção civil, cinema documental, racismo estruturalResumo
A historiografia urbana brasileira tradicionalmente invisibiliza a massa de trabalhadores da construção civil, atribuindo o protagonismo da produção do espaço apenas a projetistas e agentes públicos. Este artigo propõe o deslocamento dessa narrativa hegemônica por meio da formulação do conceito de “pretôgonismos urbanos”, que reivindica a autoria e o trabalho intelectual de operários negros historicamente apagados. Utilizando o município de Serra do Salitre (MG) como âncora empírica e o cinema documental como dispositivo metodológico e tecnológico de escuta, a pesquisa analisa as trajetórias de construtores para desvendar as tensões territoriais da cidade. Isso inclui a denúncia dos conflitos de expansão urbana e institucional sobre o território quilombola local. A oralidade operária é alçada à categoria de documento vivo, evidenciando como o racismo estrutural e o capitalismo operam na materialização excludente do território. Conclui-se que o reconhecimento daqueles que efetivamente erguem a infraestrutura citadina transcende a inclusão em arquivos, consistindo em uma virada epistemológica profunda. Assim, o trabalhador braçal deixa a condição de objeto invisível para assumir-se como sujeito central produtor do espaço e da memória urbana.
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