A MERCANTILIZAÇÃO DO SANEAMENTO
uma análise do estado do Paraná (1960-1980)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6612Palavras-chave:
Saneamento básico, Abastecimento de água, Esgotamento sanitário, Planasa, SaneparResumo
Este artigo analisa a conformação das políticas de abastecimento de água e esgotamento sanitário a partir da lógica da mercantilização, considerando sua consolidação em âmbito internacional e seus desdobramentos no Brasil. Adota-se como estudo de caso o estado do Paraná, examinando-se a trajetória do saneamento entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado pela introdução do modelo fordista‑keynesiano e pela centralização da gestão por meio das companhias estaduais, especialmente no contexto do Plano Nacional de Saneamento (Planasa). Embora esse arranjo tenha viabilizado avanços expressivos na expansão do abastecimento de água, o modelo revelou contradições estruturais, como a priorização seletiva dos investimentos, a persistente defasagem do esgotamento sanitário e a fragilidade da sustentabilidade financeira das companhias. O endividamento institucional e as crises político‑econômicas da década de 1980 contribuíram para o esgotamento desse modelo, deixando marcas duradouras na organização territorial e na governança do saneamento paranaense. Metodologicamente, o estudo possui caráter historiográfico, fundamentando‑se na revisão de literatura e na análise documental, com o objetivo de contribuir para o debate crítico sobre a relação entre saneamento, planejamento estatal e reprodução do capital no Paraná.
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