O ESPARTILHO E A CIDADE-JARDIM
a história social da indústria Spirella em Letchworth Garden City
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6630Palavras-chave:
cidade-jardim, Spirella, arquitetura industrial, gêneroResumo
Este trabalho examina a fábrica de espartilhos Spirella no contexto urbano de Letchworth, primeira cidade-jardim concebida segundo os princípios de Ebenezer Howard. Embora exista vasta bibliografia sobre a cidade-jardim como proposta urbanística, a presença da Spirella nesse ecossistema permanece pouco explorada, apesar de sua relevância como expressão concreta dos ideais howardianos aplicados ao cotidiano industrial. A escolha de Letchworth como sede não foi fortuita: a cidade, planejada com foco em sustentabilidade e vida comunitária, reforçava a imagem progressista da empresa. A fábrica, construída em estilo arquitetônico distinto da estética industrial convencional, tornou-se símbolo da integração entre trabalho e qualidade de vida. Outro aspecto é a participação feminina, a Spirella empregava majoritariamente mulheres e desenvolveu um sistema inovador de vendas domiciliares por meio das corsetiers que atuavam de forma autônoma na comercialização dos espartilhos. Essa estratégia desafiava padrões tradicionais da indústria e ampliava o protagonismo das trabalhadoras. A pesquisa adota uma abordagem interdisciplinar, cruzando história urbana, arquitetura e estudos de gênero, para oferecer uma leitura mais ampla de Letchworth. Após o encerramento das atividades em 1989, o edifício foi restaurado pela Letchworth Heritage Foundation e convertido em espaço de uso misto, preservando sua permanência simbólica e cultural até os dias atuais.
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