COREOGRAFIAS URBANAS
pedagogias incorporadas e disputas espaciais na produção das cidades latino-americanas
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6634Palavras-chave:
Carolina Maria de Jesus (1914-1977), Benita Galeana Lacunza (1903-1995), coreografias urbanas, urbanismo latino-americano, história cultural urbanaResumo
Este artigo analisa como determinadas formas de exclusão urbana são incorporadas pelos sujeitos por meio de pedagogias espaciais que orientam comportamentos, deslocamentos e percepções de pertencimento na cidade. A pesquisa articula uma crítica ao urbanismo moderno latino-americano com a análise de narrativas autobiográficas produzidas por Benita Galeana (México) e Carolina Maria de Jesus (Brasil), compreendidas como fontes capazes de revelar dimensões da experiência urbana frequentemente ausentes dos discursos técnicos e especializados. Metodologicamente, o trabalho combina revisão bibliográfica nos campos da teoria urbana crítica, dos estudos feministas e da história cultural urbana com a leitura comparada das obras Benita e Quarto de despejo. A análise é complementada pela discussão de dois contextos relacionados à produção da moradia na Cidade do México: o Foro Nacional de la Vivienda (1963) e a experiência cooperativa de Palo Alto. Os resultados indicam que dispositivos cotidianos, como o elevador, podem operar como mediadores de pertencimento e exclusão, revelando processos de corporificação das desigualdades urbanas. Argumenta-se que o urbano atua pedagogicamente na produção de limites sociais incorporados, ao mesmo tempo em que experiências de escrita, organização coletiva e autogestão habitacional evidenciam possibilidades de resistência e reconfiguração das ordens espaciais estabelecidas.
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