MODERNIZAÇÃO LOGÍSTICA E PRECARIEDADE URBANA
Ilhéus no circuito global do cacau (1920–1938)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6635Palavras-chave:
Ilhéus-BA, economia-mundo capitalista, economia do cacau, produção do espaço urbano, subdesenvolvimentoResumo
Este artigo examina a relação entre a inserção de Ilhéus no circuito global do cacau e a produção de seu espaço urbano na primeira metade do século XX. A partir da análise da modernização do porto, da ferrovia e da estrutura fiscal que drenava o excedente cacaueiro para fora do município, argumenta-se que a modernização logística das décadas de 1920 e 1930 respondeu a exigências externas de celeridade e escala sem alterar as condições materiais de vida na cidade. O enquadramento teórico articula o conceito de economia-mundo capitalista, de Immanuel Wallerstein, com a noção de subdesenvolvimento estrutural, de Celso Furtado, para compreender Ilhéus como um nó periférico cuja eficiência logística servia à aceleração da extração de sua própria riqueza. A análise das fontes evidencia que a descapitalização municipal se inscrevia na forma urbana, produzindo a coexistência entre um centro modernizado segundo os padrões da elite exportadora e arrabaldes destituídos de saneamento e infraestrutura básica. Os planos diretores de 1933 e 1938 expressaram tentativas de enfrentar essa condição, mas seus instrumentos permaneciam limitados pelas mesmas estruturas que canalizavam a riqueza do cacau para fora de Ilhéus.
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