O SILENCIAMENTO DA PAISAGEM HISTÓRICA
disputas sobre a proteção do Forte dos Reis Magos e seu entorno (1997-2010)
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6647Palavras-chave:
Patrimônio Cultural, Forte dos Reis Magos, IPHAN, Ponte Newton NavarroResumo
Este artigo analisa as disputas em torno da preservação da paisagem histórica do Forte dos Reis Magos, em Natal/RN, contrastando a defesa técnica da ambiência com o silenciamento institucional durante a construção da Ponte Newton Navarro, entre os anos de 1997 e 2010. O tombamento original de 1949 limitava-se à estrutura de "pedra e cal", ignorando a área de servidão militar e o ecossistema estuarino que são essenciais para a inteligibilidade tático-militar do monumento. Apesar dos contundentes esforços de especialistas do IPHAN para ampliar a proteção e impedir o avanço da obra viária, prevaleceu a imposição de um "novo cartão-postal" impulsionado pelo Estado e pela mídia. Metodologicamente, a pesquisa cruza documentação técnica com levantamento hemerográfico para demonstrar como o discurso de modernidade operou como um "trator político". Conclui-se que o arquivamento do processo e a vitória da espetacularização visual sobre a memória urbana abriram precedentes perigosos para a mercantilização do estuário, e para a contínua ameaça ao patrimônio potiguar.
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