ENTRE ÁGUA E TERRA
histórias de Salvador no interstício
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6688Palavras-chave:
transformações urbanas, terra e água, Rua da Vala, Aguadeiros, desafricanizaçãoResumo
A partir da dimensão da água e da terra, o artigo analisa transformações urbanas de Salvador, evidenciando como projetos de modernização ocorridos na década de 1840 estiveram articulados a processos de controle social e racial. No eixo da água, discute-se como a precariedade do abastecimento e o papel dos aguadeiros e aguadeiras, majoritariamente negros, cuja circulação passou a ser alvo de controle com propostas de canalização e instalação de chafarizes. Já no eixo da terra, analisa-se o desaparecimento das hortas no centro da cidade, especialmente na região da Rua da Vala, resultado de intervenções urbanas voltadas ao saneamento e à circulação. Esses processos, embora justificados por demandas sanitárias e de progresso, contribuíram para a expulsão de práticas, territórios e populações negras do centro urbano. A urbanização, portanto, não se deu de forma neutra, mas como parte de um projeto de desafricanização da cidade, associado a ideais de branqueamento. A pesquisa parte da noção de interstício — o espaço entre o que desaparece e o que permanece e conclui que a cidade é construída tanto por suas materialidades quanto pelos apagamentos que produz, sendo fundamental reconhecer essas camadas para compreender suas dinâmicas históricas e sociais.
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