ENTRE ÁGUA E TERRA

histórias de Salvador no interstício

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6688

Palavras-chave:

transformações urbanas, terra e água, Rua da Vala, Aguadeiros, desafricanização

Resumo

A partir da dimensão da água e da terra, o artigo analisa transformações urbanas de Salvador, evidenciando como projetos de modernização ocorridos na década de 1840 estiveram articulados a processos de controle social e racial. No eixo da água, discute-se como a precariedade do abastecimento e o papel dos aguadeiros e aguadeiras, majoritariamente negros, cuja circulação passou a ser alvo de controle com propostas de canalização e instalação de chafarizes. Já no eixo da terra, analisa-se o desaparecimento das hortas no centro da cidade, especialmente na região da Rua da Vala, resultado de intervenções urbanas voltadas ao saneamento e à circulação. Esses processos, embora justificados por demandas sanitárias e de progresso, contribuíram para a expulsão de práticas, territórios e populações negras do centro urbano. A urbanização, portanto, não se deu de forma neutra, mas como parte de um projeto de desafricanização da cidade, associado a ideais de branqueamento. A pesquisa parte da noção de interstício — o espaço entre o que desaparece e o que permanece e conclui que a cidade é construída tanto por suas materialidades quanto pelos apagamentos que produz, sendo fundamental reconhecer essas camadas para compreender suas dinâmicas históricas e sociais.

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Publicado

08-09-2026

Como Citar

SANTANA, Gabriella Suzart; MATOS, Vitória Maria. ENTRE ÁGUA E TERRA: histórias de Salvador no interstício. Anais do 19º Seminário de História da Cidade e do Urbanismo, [S. l.], v. 1, n. 1, 2026. DOI: 10.4025/shcu.v1i1.6688. Disponível em: https://anais.uel.br/portal/index.php/shcu/article/view/6688. Acesso em: 17 set. 2026.

Edição

Seção

Eixo 3 — Representações, Memória e Preservação do Urbano