DE AGRÓPOLIS AO MUNICÍPIO DE BRASIL NOVO
concepção, abandono e reestruturação
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6729Palavras-chave:
Urbanismo Rural, Transamazônica, Brasil Novo, Colonização dirigida, AgrópolisResumo
O artigo analisa a implantação do Urbanismo Rural na Amazônia durante a ditadura militar, com foco na Agrópolis de Brasil Novo, no Pará, concebida no contexto da colonização dirigida da rodovia Transamazônica. Os autores situam esse processo na longa história das Cidades Novas no Brasil e mostram como, entre as décadas de 1960 e 1970, a Amazônia foi tratada pelo Estado como “vazio” a ser ocupado e integrado ao desenvolvimento nacional. Nesse quadro, destacam a atuação do arquiteto José Geraldo da Cunha Camargo, formulador da teoria do Urbanismo Rural, baseada na criação de uma rede hierarquizada de núcleos — Rurópolis, Agrópolis e Agrovilas — destinada a fixar colonos no campo por meio da oferta de infraestrutura urbana. A pesquisa utiliza documentação inédita do acervo privado de Camargo, além de publicações e imagens históricas, para comparar o projeto original de Brasil Novo com sua efetiva implantação e transformações posteriores. Conclui que, embora o plano tenha sido apenas parcialmente executado e depois abandonado pelo governo federal, Brasil Novo consolidou-se como cidade, ainda que marcada por mudanças no traçado, precariedades de infraestrutura e distanciamento do modelo idealizado. O caso revela tanto os limites quanto os efeitos duradouros dessa política de ocupação estatal da Amazônia.
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