FUSÃO DE HORIZONTES
fundação e formação da paisagem urbana de Anápolis
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6752Palavras-chave:
formação urbana, paisagem urbana, memória, hermenêutica, AnápolisResumo
Este artigo investiga a formação da paisagem urbana de Anápolis (GO) a partir da articulação entre narrativas memorialísticas e documentação histórica, propondo a superação da dicotomia entre fundação e formação urbana. A pesquisa concentra-se no período entre 1870 e 1907, analisando tanto a lenda fundacional associada à construção da capela de Sant’Ana quanto os processos materiais e institucionais que estruturaram o território. Fundamentado na hermenêutica filosófica, especialmente na noção de “fusão de horizontes”, o estudo interpreta a cidade como um palimpsesto urbano, no qual diferentes temporalidades coexistem por meio de vestígios materiais e imateriais. A análise da forma urbana evidencia permanências, rupturas e apagamentos — como a supressão de cursos d’água — que persistem como “fantasmagorias” na memória coletiva e na morfologia contemporânea. Argumenta-se que a identidade urbana de Anápolis não se constitui pela oposição entre mito e história, mas pela integração dessas dimensões em uma leitura crítica da paisagem. Assim, o trabalho contribui para uma abordagem epistemológica que reconhece a cidade como campo de tensões entre memória, materialidade e transformação.
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