CIDADE-TERREIRO NEBULOSA
Cartografias Insurgentes nas Disputas de Lugar em Campos dos Goytacazes
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6759Palavras-chave:
urbanismo decolonial, cartografia insurgente, cosmolocalidades, corpo-mapa, UmbandaResumo
O presente artigo tenciona o planejamento urbano hegemônico e colonial a partir de epistemologias afrodiaspóricas, propondo uma leitura decolonial do território. Utilizando a metáfora das "nebulosas" e o conceito de "cosmolocalidades", a pesquisa investiga como as religiões de matriz africana, especificamente a Umbanda, reescrevem o espaço urbano através de geossímbolos e da cultura de lugar. O estudo de caso foca na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), cuja morfologia foi historicamente marcada por processos de higienização urbana e apagamento da população negra. Metodologicamente, adota-se a cartografia insurgente, que subverte o mapa cartesiano tradicional ao assumir o "corpo-mapa" e a oralitura como os principais instrumentos de leitura espacial. Ao sobrepor memórias coletivas, trajetórias de praticantes e pontos de força espiritual à malha urbana e regional, os exercícios cartográficos revelam uma "cidade-terreiro" invisibilizada que resiste e atua ativamente nas disputas de lugar frente à narrativa oficial. Conclui-se que o urbanismo contemporâneo tem a urgência de abdicar do distanciamento tecnocrático para aprender com as territorialidades de terreiro, instrumentalizando a cartografia tática como meio de visibilidade, pertencimento e reparação histórica.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Ricardo Paixão

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.