CIDADE-TERREIRO NEBULOSA

Cartografias Insurgentes nas Disputas de Lugar em Campos dos Goytacazes

Autores

  • Ricardo Paixão UFRJ | PROURB

DOI:

https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6759

Palavras-chave:

urbanismo decolonial, cartografia insurgente, cosmolocalidades, corpo-mapa, Umbanda

Resumo

O presente artigo tenciona o planejamento urbano hegemônico e colonial a partir de epistemologias afrodiaspóricas, propondo uma leitura decolonial do território. Utilizando a metáfora das "nebulosas" e o conceito de "cosmolocalidades", a pesquisa investiga como as religiões de matriz africana, especificamente a Umbanda, reescrevem o espaço urbano através de geossímbolos e da cultura de lugar. O estudo de caso foca na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), cuja morfologia foi historicamente marcada por processos de higienização urbana e apagamento da população negra. Metodologicamente, adota-se a cartografia insurgente, que subverte o mapa cartesiano tradicional ao assumir o "corpo-mapa" e a oralitura como os principais instrumentos de leitura espacial. Ao sobrepor memórias coletivas, trajetórias de praticantes e pontos de força espiritual à malha urbana e regional, os exercícios cartográficos revelam uma "cidade-terreiro" invisibilizada que resiste e atua ativamente nas disputas de lugar frente à narrativa oficial. Conclui-se que o urbanismo contemporâneo tem a urgência de abdicar do distanciamento tecnocrático para aprender com as territorialidades de terreiro, instrumentalizando a cartografia tática como meio de visibilidade, pertencimento e reparação histórica.

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Publicado

08-09-2026

Como Citar

PAIXÃO, Ricardo. CIDADE-TERREIRO NEBULOSA: Cartografias Insurgentes nas Disputas de Lugar em Campos dos Goytacazes. Anais do 19º Seminário de História da Cidade e do Urbanismo, [S. l.], v. 1, n. 1, 2026. DOI: 10.4025/shcu.v1i1.6759. Disponível em: https://anais.uel.br/portal/index.php/shcu/article/view/6759. Acesso em: 17 set. 2026.

Edição

Seção

Eixo 3 — Representações, Memória e Preservação do Urbano