O repele por sua natureza é demasiado familiar

Um estudo sobre o conceito de Unheimliche na teoria psicanalítica e sua importância na análise do fascismo

  • Rafael da Silva Shirakava UNESP - Campus Assis
  • Gustavo Henrique Dionísio UNESP – Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” – Campus Assis
Palavras-chave: Psicanálise, Unheimlich, Teoria Crítica

Resumo

A presente pesquisa parte do campo teórico da psicanálise freudiana para entendermos a problemática do fascismo, principalmente no que concerne ao conceito de Unheimlich (inquietante-estranheza). Tal categoria possui expressiva relevância para o estudo do fascismo uma vez que esta diz respeito a uma reação dos sujeitos diante daquilo (ou daquele) que é diferente, que “escapa à norma”, de algo estranho, que “repele por sua natureza” e que, na verdade, “é demasiado familiar”. Nesse sentido, Freud nos mostra como o fascismo contém um lado subjetivo, psíquico, na medida em que ele formula sobre a impossibilidade de amarmos alguém com quem não nos identificamos, tal como encontramos em O mal-estar na civilização e sobre a psicologia grupal na qual a identificação aparece como principal tema. Tais formulações também são abordadas pela Teoria Crítica da Sociedade, principalmente pelos teóricos Theodor Adorno e Max Horkheimer em seus ensaios de psicologia social, estudos sobre a personalidade autoritária, críticas à ideologia e panfletagem fascistas nos Estados Unidos durante o exílio nas décadas de 30 e 40, assim como nas décadas de 50 e 60 no retorno à Alemanha. Dessa forma, buscamos articular o conceito de Unheimlich com os estudos da Teoria Crítica para compreendermos sua emergência tanto psíquica quanto política na tentativa de situarmos o problema para discutirmos possibilidades de dissolução da figura de estranheza e possíveis intervenções.

Publicado
2018-10-02