A prática do cyberbulling entre os estudantes do ensino médio

  • Andrea Carvalho Beluce Universidade Estadual de Londrina
  • Katya Luciane de Oliveira Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Cyberbullying; Ensino Médio; Violência virtual.

Resumo

Cyberbullying é uma ação agressiva/intimidadora realizada em meio on-line que, nos últimos anos, tem se intensificado entre os estudantes. Em virtude da amplitude comunicacional e da rapidez com que as informações trafegam na internet, as intimidações on-line extrapolam os muros da escola e alcançam a vítima em qualquer lugar e a qualquer momento. Essas condições tem caracterizado o cyberbullying como uma prática agressiva mais devastadora que o bullying presencial. O principal objetivo desse estudo foi averiguar a identificação dos estudantes do ensino médio com os diferentes papéis exercidos no cyberbullying, isto é, vítima, agressor e retaliador. Participaram 223 estudantes de instituições públicas do estado de São Paulo. Desses participantes, 38,2% eram do sexo masculino (n=102), 44,2% (n=118) do feminino e apresentaram idade média de 17,6 anos. Para coleta de dados foi aplicado a Escada de Avaliação do Cyberbullying (EAC). A aplicação coletiva se deu em, aproximadamente, 45 minutos e ocorreu somente após a assinatura do termo de consentimento pelos pais/responsáveis. Efetuou-se análises estatísticas descritivas e comparativas que consideraram também o tempo dispensado com horas na internet, os tipos de dispositivos utilizados e a preferência por recursos/aplicativos on-line. Dentre os resultados encontrados, observou-se que o papel de retaliador foi o mais pontuado entre os participantes. Os índices obtidos das análises comparativas não identificaram diferenças significativas entre as médias dos grupos constituídos a partir do ano escolar, tipo de equipamento tecnológico adotado (computador, tablet ou smartphone) e horas on-line. Diferenças entre os sexos também não foram observadas. As redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e outros) foram indicadas como o recurso da web preferido pelos alunos que apresentaram as maiores pontuações nos papéis de retaliador e agressor. Entre os estudantes que obtiveram altos índices no perfil de vítima, dois recursos despontaram e indicaram valores semelhantes: as redes sociais e os sites de busca. Os resultados sugerem que estudantes agredidos/ofendidos veem adotando a internet para intimidar seu agressor. Embora muitos alunos busquem a retaliação para satisfazer um desejo de justiça, essa ação não é considerada como uma estratégia contra o cyberbullying, mas um comportamento que pode agravar ainda mais a situação. Espera-se que os achados tragam informações que contribuam com as ações de pais, professores e psicólogos contra a prática do cyberbullying e, ainda, instiguem futuras pesquisas a aprofundarem o conhecimento científico sobre essa temática.

Biografia do Autor

Katya Luciane de Oliveira, Universidade Estadual de Londrina

Psicóloga com mestrado em Psicologia na área de concentração avaliação psicológica no contexto escolar e educacional, pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade São Francisco. Doutora em Psicologia, Desenvolvimento Humano e Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas. Pós-doutorado em Avaliação Psicológica pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade São Francisco. Atualmente é Professora Associada do Departamento de Psicologia e Psicanálise/PPSIC, do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia (na função de coordenadora) e do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Estadual de Londrina. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia escolar e Construção e validação de testes, escalas e outras medidas psicológicas em diferentes contextos, atuando principalmente nos seguintes temas: avaliação psicológica, avaliação psicoeducacional, psicometria, validação de instrumentos de medida, dificuldades do processo de ensino e aprendizagem, psicologia do desenvolvimento e metodologia de pesquisa. Membro da diretoria atual e passada (2019-2021; 2017-2019) do Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica na função de tesoureira. Vice-coordenadora do GT/ANPEPP Pesquisa em Avaliação Psicológica. Bolsista Produtividade Nível 2/CNPq.

Publicado
2019-11-13