A música como forma de comunicação do adolescente no setting psicanalíto

  • Felipe de Souza Barbeiro Universidade Estadual de Londrina
  • Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis
Palavras-chave: Adolescência; funk; psicanálise; sexualidade

Resumo

A adolescência corresponde ao período do desenvolvimento psicossexual nomeado por Freud como fase genital. O indivíduo vivencia emoções tão intensas e apresenta comportamentos que demandam reflexões a ponto já ter sido nomeada Síndrome Normal da Adolescência por outro autor. O jovem lida com o luto pelo corpo de criança e pelos pais da infância, necessitando lidar ainda com a fantasia da bissexualidade. Nesse período, as relações objetais se estabelecem de forma mais sofisticada e a vivência da sexualidade deixa de ser, apenas, autoerótica e passa a ocorrer a busca pelo objeto. Logo, é considerado como um período de passagem para a vida adulta. Assim, o ego e o superego desenvolvidos a partir das figuras parentais introjetadas são contrastadas com a necessidade em se inserir em grupos. São comuns dúvidas ideológicas, culturais, políticas e religiosas, gerando inconformidades internas de personalidade. Em um contexto no qual predominam relacionamentos como “ficar sem compromisso†e uma cultura que impõe padrões comportamentais, são naturais os conflitos sexuais. Este trabalho objetiva apresentar o assunto da sexualidade na adolescência revelada através do funk, ritmo musical que inclui letras com conteúdos referentes ao erotismo. Trata-se de um fragmento de uma pesquisa maior de mestrado, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina. O estudo foi realizado através do método clínico-qualitativo a partir da entrevista com uma psicanalista, que assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram explorados pela técnica de análise de conteúdo. Frequentemente, pacientes adolescentes levam seus celulares para as sessões a fim de mostrarem algum conteúdo. É uma forma de se expressarem, podendo incluir até mesmo questões ainda inconscientes. No fragmento em questão, verificou-se que face à dificuldade em exteriorizar o assunto em palavras, a sexualidade foi comunicada através dos funks denotados durante as sessões, cabendo à analista a interpretação da significação do tema para o paciente. Atualmente, esse ritmo é conhecido por suas letras ambíguas que abordam atitudes sexuais. Seja qual for a situação introduzida no setting terapêutico, é uma forma de manifestação inconsciente, sendo um instrumento incluído como possibilidade de compreensão analítica. Dessa maneira, a associação livre de ideias é exercida de modo lúdico, tendo o gênero musical em evidência como facilitador desse processo.

Publicado
2019-11-13