Das cartas ao Whatsapp

a comunicação na psicanálise

  • Felipe de Souza Barbeiro Universidade Estadual de Londrina
  • Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis
Palavras-chave: Cartas; comunicação; psicanálise; WhatsApp

Resumo

Atualmente, novas formas de comunicação têm surgido a partir do avanço tecnológico, emergindo novas relações pessoais. Tecnologias como o aplicativo WhatsApp possibilitam contato imediato entre os indivíduos, diminuindo o tempo de espera entre enviar e receber uma mensagem. À escrita são integrados emoticons, utilizados como recurso linguístico pelos sujeitos a fim de expressarem seus sentimentos. Percebidos como modo de expressão econômico, essas imagens relacionam-se à fala imagética e vazia de eu, escutada também no setting analítico. Acompanhando as conjunturas da contemporaneidade, analistas e pacientes trocam mensagens através de dispositivos eletrônicos, tornando necessária a reflexão quanto ao uso de aparelhos tecnológicos no enquadramento da clínica psicanalítica. A comunicação por meios digitais pode tanto estar a favor de uma associação livre de ideias como a favor de uma resistência. Isso faz com que psicanalistas pensem a respeito da manifestação de conteúdos inconscientes, pois a linguagem varia de acordo com o contexto social e temporal no qual o sujeito está inserido. Se, atualmente, o contato entre a díade pode ser facilitada pelos dispositivos eletrônicos, autores clássicos da psicanálise, como Freud, Klein e Winnicott também interagiam a distância com seus pacientes por meio dos recursos disponíveis em suas épocas. Era por intermédio da troca de cartas que analistas se comunicavam. O objetivo deste trabalho é discutir as possíveis implicações do uso de tecnologias atuais na comunicação entre profissionais e pacientes, relacionando-o à forma como os pioneiros da psicanálise se comunicavam. A questão é analisada qualitativamente a partir de fontes bibliográficas. Percebe-se que a diferença entre a comunicação via WhatsApp e via correspondência pode estar no uso que se faz dessas ferramentas e não na função analítica. Isso se deve ao fato de que, de certa forma, toda escrita é virtual, desde sua origem na Mesopotâmia. Em vista disso, sendo por meio digital ou pelo papel, contatos a distância entre analistas, inclusive com alguns pacientes, são praticados no meio psicanalítico desde sua criação. Freud trocava cartas com o pai de Hans, Klein recebeu uma correspondência da mãe de um paciente infantil e Winnicott também se comunicou com os pais de Piggle por intermédio de cartas. Hoje, pacientes, ao se comunicarem pelo aplicativo com suas analistas, transmitem seus conteúdos internos, refletindo as características engendradas pelo advento tecnológico. Portanto, pode-se concluir que, desde as primeiras trocas de cartas até as trocas de mensagens por WhatsApp, a comunicação virtual é existente no meio psicanalítico e as formas de comunicação se alteram conforme as demandas e tecnologias disponíveis.

Publicado
2019-11-13