O Corpo e a Farda

discussões sobre a constituição de mulheres policiais

  • Daniela Cecilia Grioski Universidade Estadual de Londrina
  • Eneida Santiago Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Polícia Militar, Dispositivos, Tecnologia de gênero

Resumo

O presente trabalho configura-se como parte de uma dissertação de mestrado que está em andamento. A dissertação tem como foco compreender as vivências subjetivas de mulheres policiais militares, considerando seus contextos laborais. Para tal, a pesquisa tem como base a participação, por meio de entrevistas, de seis policiais atuantes em um Batalhão da Polícia Militar de um município do norte do estado do Paraná. A pesquisa se pauta no cunho qualitativo, e os dados analisados serão desenvolvidos a partir da identificação de enunciados nas falas das participantes, de acordo com conceitos teóricos estabelecidos pelo filósofo Michel Foucault sobre práticas discursivas. Além do mais, tomaremos como referência perspectivas propostas pela autora Teresa de Lauretis acerca dos estudos de gênero. A partir da análise das entrevistas, serão formulados quatro eixos temáticos condizentes às questões que se sobressaírem nas falas das participantes. A vista disso, neste trabalho em específico, destacaremos um dos eixos temáticos da análise de dados da pesquisa, denominado “O corpo e a farda”. O eixo que aqui apresentaremos, tem como objetivo desenvolver problematizações acerca do corpo feminino produzido na instituição Polícia Militar do Paraná, considerando que este corpo se constitui através do dispositivo da farda e pelas tecnologias de gênero. Tendo como ponto de partida o conceito de dispositivo pela visão de Foucault, o qual condiz com uma rede de elementos heterogêneos que se estabelecem em determinado contexto social e estão associados à constituição de subjetividade dos sujeitos, compreendemos a figura da farda enquanto um dispositivo que auxilia na produção dos corpos de policiais militares, corpos esses que são docilizados e voltados à uma lógica de disciplina e hierarquia. Além disso, a partir da análise das falas das participantes, pensando especificamente na produção de corpos femininos nas instituições militares, entende-se que há a afirmação do que a Lauretis denomina como tecnologia de gênero, ou seja, mecanismos que promovem representações de gênero a partir de uma dualidade que coloca aspectos tidos social e historicamente como masculinos enquanto provedores de virilidade, força e bravura, em contrapartida aspectos femininos veem-se como sensíveis, delicados e voltados ao cuidado com o outro. Desta forma, nota-se que as categorias de gênero (masculina e feminina) ainda não foram totalmente transversalizadas no que diz respeito à Polícia Militar do Paraná. Com isso, salientamos que ainda há resquícios de um binarismo de gênero que perpassa o âmbito dessa instituição. O presente trabalho configura-se como parte de uma dissertação de mestrado que está em andamento. A dissertação tem como foco compreender as vivências subjetivas de mulheres policiais militares, considerando seus contextos laborais. Para tal, a pesquisa tem como base a participação, por meio de entrevistas, de seis policiais atuantes em um Batalhão da Polícia Militar de um município do norte do estado do Paraná. A pesquisa se pauta no cunho qualitativo, e os dados analisados serão desenvolvidos a partir da identificação de enunciados nas falas das participantes, de acordo com conceitos teóricos estabelecidos pelo filósofo Michel Foucault sobre práticas discursivas. Além do mais, tomaremos como referência perspectivas propostas pela autora Teresa de Lauretis acerca dos estudos de gênero. A partir da análise das entrevistas, serão formulados quatro eixos temáticos condizentes às questões que se sobressaírem nas falas das participantes. A vista disso, neste trabalho em específico, destacaremos um dos eixos temáticos da análise de dados da pesquisa, denominado “O corpo e a farda”. O eixo que aqui apresentaremos, tem como objetivo desenvolver problematizações acerca do corpo feminino produzido na instituição Polícia Militar do Paraná, considerando que este corpo se constitui através do dispositivo da farda e pelas tecnologias de gênero. Tendo como ponto de partida o conceito de dispositivo pela visão de Foucault, o qual condiz com uma rede de elementos heterogêneos que se estabelecem em determinado contexto social e estão associados à constituição de subjetividade dos sujeitos, compreendemos a figura da farda enquanto um dispositivo que auxilia na produção dos corpos de policiais militares, corpos esses que são docilizados e voltados à uma lógica de disciplina e hierarquia. Além disso, a partir da análise das falas das participantes, pensando especificamente na produção de corpos femininos nas instituições militares, entende-se que há a afirmação do que a Lauretis denomina como tecnologia de gênero, ou seja, mecanismos que promovem representações de gênero a partir de uma dualidade que coloca aspectos tidos social e historicamente como masculinos enquanto provedores de virilidade, força e bravura, em contrapartida aspectos femininos veem-se como sensíveis, delicados e voltados ao cuidado com o outro. Desta forma, nota-se que as categorias de gênero (masculina e feminina) ainda não foram totalmente transversalizadas no que diz respeito à Polícia Militar do Paraná. Com isso, salientamos que ainda há resquícios de um binarismo de gênero que perpassa o âmbito dessa instituição. 

Publicado
2019-11-13