As Startups no contexto da organização capitalista financeira

uma análise psicossocial

  • Milena de Lima Barbosa UEL
  • Sonia Regina Vargas Mansano

Resumo

As Startups estão no epicentro das narrativas sobre o capitalismo contemporâneo e a imagem que a maioria das pessoas faz destas empresas envolve características de inovação e liberdade de ações. Assim, a Startup pode ser qualquer empresa que envolve gestão de inovação e incerteza. Até mesmo empresas já consolidadas, que conseguiram personificar seus negócios, valendo-se de novidade, rapidez, flexibilidade e alta capacidade de adaptação às contingências dos mercados podem ser consideradas uma Startup (Faria, 2018). O objetivo do presente estudo teórico consiste em analisar a emergência histórica e a disseminação das Startups a partir de uma leitura psicossocial crítica, destacando suas características e efeitos subjetivos no cotidiano da população. Como resultado da pesquisa, pode-se dizer que a história de sua disseminação no mundo pode ser considerada recente e veloz. A emergência das Startups ocorreu em um momento histórico de mudanças na maneira como profissionais conectam-se com o trabalho e com a produção. Estas mudanças iniciaram-se a partir de 1970 com as crises geradas pelo desgaste do paradigma da sociedade urbano industrial. Com esse desgaste, houve uma reconfiguração do capitalismo a partir do capital financeiro (Pochmann, 2018; Lazzarato, 2017). Com a instalação da finança no coração da acumulação capitalista, a especulação financeira passa a ser o motor da economia (Lazzarato, 2017). Esta reorganização do capital tem sido marcada pelo dinamismo econômico policentrista e pela ascensão de corporações transnacionais sob a dominância financeira (Pochamann, 2016). Esta nova forma global de economia, que Negri e Hardt (2001) chamam de império, tem como característica a ausência de um centro territorial de poder. Seu exercício acontece de maneira quase ilimitada, sem fronteiras e barreiras fixas. Ao contrário das empresas tradicionais, seus limites são geograficamente abertos e em expansão, incorporando o mundo todo. Dentro desta reorganização econômica, outro elemento importante foi a adesão a um modelo de rede que caminha rumo a constituição de uma economia da informação, a oferta de serviços e o manuseio de informação (Negri & Hardt, 2001). A economia em rede, como analisa Rifkin (2001), caracteriza-se por ciclos curtos de produtos e por fluxo em permanente expansão de bens e serviços, na qual a participação e o trabalho humanos são cada vez mais escassos. Assim, embora essas novas tecnologias façam a difusão de promessas de uma nova democracia e de igualdade social, elas engendram linhas de desigualdade e exclusão (Negri & Hardt, 2001). Com a financeirização da economia, a ascensão das corporações transnacionais e a formação de uma nova economia global, o Império foi tecendo um contexto econômico fértil para as Startups se disseminar. Pela descrição da emergência histórica das Startups e seus efeitos psicossociais, conclui-se que no contexto econômico pautado na especulação financeira as Startups tornam-se grandes apostas especulativas. Elas apoiam-se e se sustentam no mercado financeiro especulativo através de investimentos de alto risco que apostam em projetos que supostamente poderão, no futuro, render dinheiro e se valorizar. Entretanto, em uma análise crítica, nota-se o quanto elas deixam entrever uma saída amplamente idealizada para os graves problemas de inclusão social que atravessam a atualidade

Publicado
2019-11-13