Perfis de desempenho na escrita sob ditado e sua relação com a leitura em crianças

  • Carolina Saito Mochizuki UEL
  • Isabella Pavoni
  • Julia Perozzi
  • Nayara Rodrigues de Oliveira
  • Patricia Silva Lucio
Palavras-chave: leitura, ditado, analise de perfil, crianças, frequencia de palavras

Resumo

Investigam-se as relações entre a leitura em voz alta e a escrita sob ditado de palavras isoladas por crianças. As tarefas seguiram os pressupostos da psicologia cognitiva e da psicolinguística para elaboração e são divididas em duas listas: alta e de baixa frequência (respectivamente, AF e BF). A tarefa de ditado apresenta 30 palavras apresentadas em contexto de frases. A tarefa de leitura é apresentada em cartões e o tempo de leitura total e os acertos foram registrados. O estudo foi conduzido com crianças de uma escola pública da cidade de Londrina. Participaram 80 crianças (idade mínima = 7; idade máxima = 12; 42,5% meninas). O desempenho na tarefa de ditado foi separado em três níveis: ruim, regular e bom. Isso foi feito separadamente para escrita de palavras AF e BF, sendo que, a partir disso, foram definidos subtipos de desempenho: 1. bom em ambas listas, 2. regular em ambas listas, 3. ruim em ambas listas, 4. perfil divergente/coerente (DC; maior acerto na escrita de palavras AF em relação à BF) e 5. perfil divergente/incoerente (DI; maior acerto na escrita de palavras de palavras BF em relação à AF). De forma semelhante, o desempenho na leitura foi dividido bom, regular e baixo, tanto para os erros quanto para o tempo (separado para as palavras AF e BF). Correlações (Pearson) entre os acertos na escrita sob ditado e a leitura foram significativas, de magnitudes moderadas a altas. A maioria das crianças (61,1%) apresentou perfil idêntico em ambas as listas de ditado (bom/bom; regular/regular; ruim/ruim). Entre as que apresentaram perfil divergente, a maioria foi congruente (57%). As categorias de desempenho no ditado foi comparada com as categorias de leitura (tabelas de referência cruzadas). A classificação das crianças na leitura distinguiu o perfil na escrita, exceto entre os acertos nas palavras AF (qui-quadrado). Nenhuma das crianças boas em ambas listas de ditado foram lentas na leitura de palavras BF. Nenhuma das crianças ruins em ambas as listas foram ágeis na leitura (AF e BF) ou apresentaram acertos altos na leitura de palavras BF. As crianças regulares em ambas as listas tendiam a se dispersar nos três níveis de categorias de leitura para tempos e para acertos nas palavras AF e BF. Em relação às crianças com perfil divergente, nenhuma criança congruente no ditado apresentou leitura lenta nas palavras BF e tenderam a apresentar níveis médios de acerto e de tempo em todas as listas. Já as crianças com perfil incongruente apresentaram um padrão pobre de desempenho, com 33% apresentando lentidão na leitura de palavras BF e 67% acertos muito baixos na leitura AF. Esse grupo também apresentou menor proporção de crianças com tempos nas palavras AF considerados adequados, i.e., tempos médios e baixos (75% classificadas nesta categoria contra 87,5% das crianças coerentes). Os resultados apontam a heterogeneidade do desempenho na escrita em função da leitura. Discute-se sobre a relevância dos perfis levantados para o diagnóstico das dificuldades de leitura e sobre as limitações das correlações para avaliação das heterogeneidades clínicas.

 

Publicado
2019-11-13