Psicologia social comunitária do cotidiano

implicações no contexto das vulnerabilidades sociais

  • Sérgio Kazuyoshi Fuji Universidade Estadual de Londrina
  • Alexandre Bonetti Lima
Palavras-chave: Psicologia social Comunitária, vulnerabilidade Social, Cotidiano, Subjetividade, Transformação Social

Resumo

O presente estudo pretende discutir os cinco princípios complementares da Psicologia Social Comunitária - Contradição Somos Nós, Direito a beleza, Muros invisíveis, Centralidade nas Relações, Ajudar Sem Atrapalhar e Potencialização – no contexto das vulnerabilidades sociais. A Psicologia Social Comunitária do Cotidiano (León Cedeño, 2015) busca dialogar a partir de uma perspectiva crítica da psicologia social situada e comprometida no cotidiano, apontar a importância da aproximação teórico-prática e teórico-metodológica para a práxis potente no interior das comunidades que sofrem de forma objetiva a desigualdade social por meio da pobreza, desemprego, violência, precariedade das condições de vida pela falta de recursos materiais e subjetivos. As vulnerabilidades sociais tem sido pauta das políticas públicas, principalmente a de Assistência Social. A psicologia faz se presente em muitos serviços que atendem diretamente a população usuária dessa política pública. No encontro com essa realidade, as interpelações afetivas da imersão nesses cotidianos provocaram inquietações e questionamentos, tanto no que tange a idéia de subjetividade, quanto de sujeito. Este estudo abordará de forma sucinta três categorias de análises, a saber: Lugar, Redes Articuladas, Saúde Mental a partir de exemplos do contato do psicólogo com uma comunidade no município de Londrina-Pr, que se enquadra nos critérios de vulnerabilidade social pela Política de Assistência Social do município. Como pano de fundo da discussão será utilizado os conceitos de Biopolítica e Necropolítica, de Foucault e Mbembe respectivamente, problematizando as vulnerabilidades sociais, que nos levam, nesse sentido, a mirar uma realidade conflituosa e adversa, por meio de uma ótica de controle e de poder sobre as populações de modo desigual, política, econômica e socialmente falando, o que pode nos trazer algumas perspectivas sobre os modos de subjetivação, que se pautam nos corpos descartáveis, desinvestidos e sem valor, numa política de morte sobre as massas. Como conclusão, espera-se contribuir para construção de subjetividades potentes nesses lugares, por meio do fortalecimento e criação de forças contra-hegemônicas que emana da potência dos sujeitos, em sua singularidade e que cresce na medida em que se estabelece outro tipo de encontro, mais sensível, mais afetivo, mais acolhedor, mais encantador e que dá esperança de que a transformação social a que dispomos não seja mera utopia. 

Publicado
2019-11-13