O Processo de individualização do social e o fortalecimento do sistema capitalista

o que a psicologia tem a ver com isso?

  • Patrícia Aparecida Bortolloti Universidade Estadual de Londrina
  • Paulo Roberto de Carvalho Universidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: psicologia, capitalismo, sociedade, individualização, consumo

Resumo

Após um importante processo de luta pela conquista da liberdade individual na sociedade moderna, as categorias individuais se acentuam de forma maximizada e exagerada, e os espaços de troca entre indivíduos e coletivo se fecham a cada momento. Em 1848, Marx e Engels, no Manifesto Comunista, já caracterizavam a modernidade como um processo histórico que dissolvia, ao longo do processo, as instituições de outras épocas, como a família, a comunidade tradicional e a religião. Mas a configuração atual da modernidade se diferencia desta descrita acima a partir do momento em que os referenciais que possibilitavam esse movimento de desenraizamento e enraizamento do velho no novo são perdidos. Nesse contexto, o que observamos é um movimento de substituição da vivência afetiva e da identificação com as instituições e com o(s) outro(s) por uma crescente tendência ao consumo - de bens, dos outros, e de si - e por um crescente esforço subjetivo em prol de uma performance social modelo deste sistema. Assim, a proposta de investigação deste ensaio é a de relacionar tal processo de individualização do social com o modo de produção de subjetividade necessário para o funcionamento e manutenção do sistema capitalista, bem como o de entender de que forma a psicologia atuou neste processo. Para isto, foi realizada uma pesquisa teórica a partir da bibliografia de autores que abordam a questão dentro dos seus parâmetros históricos. Nesse sentido, é possível observar que a subjetividade dos sujeitos é marcada pelo silêncio, pelo isolamento, pela ausência de sentido e, nesse lugar em que não há referenciais fixos, a vida passa a ser entendida como projeto individual e os espaços de trocas são substituídos pelas relações de consumo. Nesse contexto, a psicologia enquanto prática que busca explicar e dar conta de fenômenos sociais através de uma análise individual caracteriza uma perspectiva epistemológica desta racionalidade moderna, tomando sujeito e sociedade como duas realidades distintas.

Publicado
2019-11-13