“Mamãe, eu me vejo”:
o design de moda infantil como dispositivo de construção identitária e valorização da infância negra
Palavras-chave:
moda infantil, identidade, representatividade, crianças negras, autoestimaResumo
O presente trabalho investiga o potencial do design de moda infantil como instrumento de fortalecimento da identidade e da autoestima de crianças negras, considerando os impactos do racismo estrutural na constituição subjetiva durante a infância. Parte-se da problemática da baixa representatividade positiva no vestuário infantil e nos produtos culturais direcionados a esse público. Como resposta, desenvolve-se um projeto integrado que articula narrativa literária e coleção de moda, propondo a criação de um personagem com o qual crianças negras possam se identificar. A metodologia, de abordagem qualitativa, envolve ferramentas projetuais do design, como construção de personas, análise de similares, paineis semânticos e entrevistas com usuários. A fundamentação teórica dialoga com os conceitos de identidade cultural, hegemonia e invisibilização racial. Como resultado, apresenta-se uma coleção de moda infantil baseada em elementos simbólicos da narrativa, utilizando metáforas visuais que reforçam pertencimento, liberdade e valorização identitária. Conclui-se que o design de moda, quando articulado a narrativas representativas, pode atuar como agente de transformação social e simbólica.