Gênero, Comunicação e Secretariado Executivo
Percepções de Profissionais sobre Diversidade e Práticas de Inclusão em Organizações de Londrina e Região
Keywords:
Linguagem Neutra, direitos humanos, educação antirracista, respeito às diferenças e à diversidadeAbstract
Este trabalho de conclusão de curso investiga a percepção de profissionais do Secretariado Executivo sobre a comunicação das políticas de diversidade de gênero nas organizações da cidade de Londrina e região, considerando estratégias adotadas, desafios de implementação e o papel do secretariado na mediação dessas práticas. De abordagem quali-quantitativa, o estudo empregou um questionário semiestruturado, com coleta de dados realizada por amostragem não probabilística por conveniência, obtendo 26 respostas válidas. O estudo buscou compreender como a diversidade é comunicada, percebida e efetivada nas práticas institucionais. A relevância do estudo se justifica pela necessidade de compreender a coerência entre o discurso organizacional e as práticas internas, especialmente em um contexto em que a promoção da diversidade muitas vezes se limita à retórica institucional. A análise fundamentou-se nos estudos de comunicação organizacional que apontam a função estratégica da comunicação na legitimação institucional (Kunsch, 2016; Torquato, 2015) e nas discussões contemporâneas sobre diversidade e performatividade de gênero, que problematizam a distância entre discurso e prática (Butler, 2003; Bento, 2014). No campo do Secretariado Executivo, o estudo dialoga com pesquisas que reconhecem esse profissional como agente mediador de processos comunicacionais e de gestão da diversidade (Portela & Schumacher, 2009; Neiva & D’Elia, 2014). Além disso, o olhar situado da pesquisadora — inserida profissionalmente em uma organização que se autodeclara diversa — permitiu uma análise sensível e crítica das contradições entre a comunicação inclusiva e as barreiras reais à equidade de gênero. O trabalho também contribui para o fortalecimento do campo do Secretariado Executivo ao evidenciar o papel estratégico desse profissional como mediador de processos comunicacionais voltados à inclusão e à construção de ambientes mais justos. Os resultados revelaram que a maioria das organizações ainda não possui políticas formalizadas de diversidade de gênero e que, quando presentes, restringemse a ações pontuais, desarticuladas e pouco comunicadas. Também foi identificada a presença de discursos que expressam desconhecimento e preconceito por parte dos participantes, sobretudo em relação à linguagem neutra e às identidades dissidentes. Esses achados apontam para um cenário de diversity washing, em que a defesa da diversidade é utilizada mais como estratégia de imagem do que como compromisso efetivo com a transformação institucional. Recomenda-se que estudos futuros ampliem a amostra e realizem análises comparativas entre diferentes setores e regiões, bem como investigações aprofundadas sobre a atuação do Secretariado Executivo na mediação de conflitos e na implementação de políticas inclusivas.